Fique

Leia ouvindo: P!nk – Try

Acho que precisamos conversar, digo com voz tremula.

É sobre ficar. Queria que você ficasse mais por aqui, sabe? Sem essa história de aparecer depois do futebol, ou apenas vir me buscar para jantar e depois me devolver com um beijo carinhoso. Não quero que acorde pelo manhã de domingo dizendo que precisa tomar café em casa sendo que está cheio de coisas gostosas por aqui.

Eu gosto tanto de você. Eu gosto tanto de nós dois. Não sei se posso chamar de namorado alguém que não se faz tão presente, que nem faz questão de compartilhar os dias comigo. Não sei também se consigo levar a diante uma relação que não é generosa, mesmo assumindo que as coisas por aqui ficariam ainda mais bagunçadas sem você. Aprendi a cortar os males pela raiz, a não confundir ausência com falta de tempo e comodidade com amor. São coisas bem distintas, que sempre caem na linha tênue para alguns discursos.

Os tempos modernos não fazem parte dos meus valores, eu realmente acredito em uma relação de parceria, troca e carícias. Não quero ter hora marcada para ir embora e também não quero café da manhã na cama todos os domingos. Quero entrega mútua, sentimentos expostos e sinceridade nas palavras. Não acho que seja difícil para pessoas tão maduras.

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[ Imagem: reprodução ] 

Ando trabalhando a paciência de maneira carinhosa, entendo a sua rotina, mas o que mais me machuca é saber qual é o problema de fazer parte dela de maneira mais intensa. Não me importo com o seu futebol, churrasco com amigos, reuniões fora de hora, almoço na casa de uma tia, domingo a noite na casa dos seus pais, muito pelo contrário, também tenho e prezo pela minha rotina. O que anda machucando meus pés são essas bolhas causadas pela sua ausência na caminhada.

Quero saber sobre um tempo para nós, uma viagem no final de semana, um domingo juntos, uma sexta-feira de jantar, um final de semana inteiro para chamar de nosso. Gostaria de você ficasse um pouco mais, deixasse o orgulho de lado e a ocupação para lá. Sabe? Ficar sem ter hora para ir, ligar com vontade de conversar, fazer surpresa sem ter que pensar em se esforçar demais, participar, compartilhar, estar – do verbo mesmo.

Estou com você, mas será que você está comigo? Não demore muito pensar. Fique, ou então quem vai embora sou eu. E não digo em tom de ameaça, digo no tom de quem já chegou ao ponto de cansar de tanto amar.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

3 comentários em “Fique

  1. Realmente. Pq o carinho, à atenção e o amor que se dá, é o mesmo que quer receber. Reciprocidade!

  2. As entregas emocionais nunca podem ser unilaterais, é um fato. E existem muitas maneiras de se exemplificar isso num texto. Você fez de um jeito leve, um diálogo que segue coeso por todas as linhas, que se desmancha num pedido sincero ao final. Faz muito sentido.

    O cotidiano pode matar o que se tem de bom. Mas a gente sempre pode matar o cotidiano antes.

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