Fotos no celular

Leia ouvindo: Trevor Hall – Forgive

Quando a saudade espanca e o questionamento vem, o coração apela. Corro para o celular. Ainda guardo fotos nossas, assim como aquele video que fizemos com a sua música favorita de fundo. Vejo, revejo, me questiono mais de uma vez. Éramos incríveis juntos. Você e seu jeito sério. Eu e as minhas piadas sem graça.

Você queria que desse certo, me convenceu disso e de repente mudou de rumo, por que?

Ainda não consegui aceitar isso como algo natural ou simplesmente mais um ciclo que se acaba. “Olha essa foto aqui. Sabe porque eu gosto dela? Porque nos estamos felizes”. E você sorriu, me deu um beijo, me olhou nos olhos.

Éramos realmente incríveis juntos. Ficava à vontade com você, sem aquela sensação de ser observada o tempo todo ou tendo que me comportar como o outro espera e não realmente como eu sou. Uma liberdade que conquistamos de maneira natural. Não fizemos ser incrível cada momento, simplesmente foi.

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[ Imagem: reprodução ] 

Em tão pouco tempo, intensidade única. Era cedo, mas também era mágico. Tinha medo, mas também vontade. Uma conexão de outras vidas talvez, cheia de sentimentos mútuos. Uma ligação que de tão magnifica, era também perigosa. Foi fácil gostar de você. Você era diferente de todos, chegou rasgando meus formulários e respostas feitas. Me trouxe perguntas, segurança e certezas.

Vejo de novo as nossas fotos, releio aquela parte da conversa no whatsapp que me fez sorrir tantas vezes. Meu coração aperta. Meu Deus, será que tudo foi em vão?

Todos os dias eu penso em você. Todos os dias eu torço para que boas noticias aconteçam no seu trabalho, na sua vida. Eu ouço músicas aleatórias que me lembram você e tenho vontade de te mandar como quem diz: toma, pensei em você nessa aqui. Voltei a lugares que fomos juntos. Fui a lugares novos que você iria adorar. Estou planejando uma viagem para NY, iria ser ótimo ter dicas suas. Quando vejo alguma notícia ruim sobre a economia logo penso: ele vai ficar puto quando ler isso aqui. Tive vontade de perguntar sobre você para conhecidos. Não fiz. Me dá um frio na espinha te ver online ou quando alguma atualização sua pula no meu feed. Maldita rede social.

Eu queria ter essa coragem toda de te deixar partir de vez da minha vida e até mesmo das lembranças que trago comigo. Não dá. Algumas dores a gente gosta de ter. Não sei quanto tempo tudo isso vai durar, muito menos quando esse apego todo vai embora. Apego é uma boa palavra mas ao mesmo tempo não é. Te deixei ir, livre para encontrar aquilo que julga ser bom para você. Eu também fui, mas fiquei com as lembranças. Tenho mania de guardar miudezas que me fazem sentido.

Queria você aqui, agora. No tempo real mais bonito que sabemos fazer. Sinto sua falta. Sinto falta da gente, sabe? Conversas bobas, frio na barriga ou aquele encontro tão esperado num final de semana qualquer.

Nunca fui boa com despedidas e de você eu não consegui me despedir. Foi um até breve. Ainda mora aqui uma esperança boba que o melhor com você está por vir. Quem sabe, você não está naquelas linhas tortas que o destino escreveu. Quem sabe eu não te encontro de uma maneira tão inesperada como aquela em que a gente se conheceu. Em breve.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

5 comentários em “Fotos no celular

  1. Meu atual momento, descreveu perfeitamente.

    Lendo com a voz embargada e coração apertado!

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