Histórias da Onça

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Hoje a gente trouxe uma história muito especial! Conhecemos a Dayane nesse mundão online, conversa vai conversa vem, descobrimos atrás de uma menina de 19 anos – e leitora fiel do Dona Oncinha (oba!), uma história de vida incrível.

Como vocês sabem, a gente adora uma boa história e essa a gente não podia deixar de compartilhar. Confere aí! 🙂


Olá leitores da Dona Oncinha!

É uma grande honra ter sido chamada até aqui pra contar um pouquinho da minha história.

Meu nome é Dayane Amaro Costa, tenho 19 aninhos, sou estudante do 2° ano de biomedicina, apaixonada por cachorros, Clarice Lispector, filmes, brigadeiro e viagens. Sou só mais uma menina atrás de seus sonhos, mas acho que estou aqui pra falar do meu “diferencial”: estou aqui pra representar a mulher cadeirante e falar um pouco dessa vida sobre rodas.

O acidente
Tudo aconteceu em 1999 quando eu e minha família voltávamos de uma viagem ao nordeste, onde havíamos ido visitar os parentes de carro. Três dias de viagem até lá, quando na volta estávamos na BR 116 na Bahia próximos a Feira de Santana e então nos deparamos com um caminhão na contra-mão que bateu no nosso carro. Como resultado desse acidente fiquei paraplégica.

A reação
Eu posso dizer com certa convicção que ficar paraplégica naquela época não foi tão impactante pra mim, talvez por que eu tinha apenas sete anos e criança, sabem como é, tem uma energia incrível, uma garra e uma esperança incomum, e apesar de estar ciente de toda a situação, acreditava mesmo era no que a maioria dizia, que logo eu sairia correndo por aí. Acho que o impacto maior foi sofrido pela minha família, mesmo porque, não deve ser nada fácil saber que uma filha com sete anos se tornou paraplégica.

A cadeira
A cadeira pra mim também não foi tão assustadora, eu acho que a alegria de criança e a vontade de brincar falava mais alto do que tudo e sem dúvidas contribuiu de uma forma espetacular para minha recuperação, aquela cadeira era como se fosse um brinquedo provisório. Mas é claro que tinha os momentos em que via minhas amigas correndo, dançando e me sentia um pouco triste, mas sempre superando e tocando a vida.

A adolescência
Sem dúvidas, pra mim, a adolescência foi a fase mais complicada, aliás, se adolescência ja é complicada para andantes, imaginem pra cadeirantes!  Acho que foi o momento em que “caiu a ficha” e eu parei pra pensar nas diferenças, sem contar que tem todos aqueles problemas de mudança no corpo, foi uma fase bem complicada, até porque, até os dez ou onze anos mais ou menos eu não me via diferente, eu só queria brincar como as outras crianças, dançava em festas juninas de escola, fazia de tudo, mas na adolescência veio o recuo, de pensar “Poxa! deixa eu ficar na minha agora porque sou cadeirante”. Mas isso era mais um conflito interno mesmo, na escola não sofria com indiferença por parte das pessoas. É claro que sempre existia preconceito de algumas delas, mas nada que excedia muito ao controle, e assim fui levando. Entrei em escolas que não eram completamente adaptadas, mas que recebi grande apoio dos amigos que sempre que me ajudavam a descer e subir escadas numa boa, sem contar que causei até algumas reformas nessas escolas, quanto a arquitetura mesmo e isso foi muito bacana, sentir que eu estava realmente causando mudança.

E chegando à maioridade…

Chegou a tão esperada fase de vestibular, estudos e mais estudos, preocupações… A cabeça estava sempre muito ocupada e isso me trouxe um enorme ânimo e mais responsabilidades também. Tirei minha carteira de motorista, entrei na faculdade e comecei a namorar o Bruno, uma pessoa muito especial que vem me ensinando ainda mais a quebrar barreiras dia a dia.

Pois bem, eu acho que é isso por enquanto, vamos ver o que o futuro traz pra mim, ou, o que eu trago para o futuro.

Obrigada!

E para quem gostou e quer acompanhar a Dona Dayane, ela tem dois blogs que a gente indica, confere ai: http://www.dayaneamarocosta.blogspot.com/ e http://www.vivenciasobrerodas.blogspot.com/

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5 Comments

  1. Bianca says

    Pessoas que nos inspiram a ser melhores, a não reclamar de tantas besteiras e a ser feliz. Porque a vida vale a pena!

    Parabéns à Dayane pela garra e vontade de seguir em frente! Uma vencedora! 🙂

  2. Dayane Amaro Costa says

    Obrigada Bianca! Obrigada á todos do blog, principalmente a Ju, to muito feliz com a postagem!

  3. Jéssica Balbino says

    Estudei com a Day e sei o qto ela é guerreira. Parabéns Day por tudo q vc já conseguiu e por tudo o q ainda vc vai conseguir, pq tenho certeza q ainda virão muitas conquistas!
    BjooooooO…

  4. Carlos Almeida says

    A Day entrou em nossas vidas no 1º ano do Ensino Médio. Ninguém diria que aquela menina introvertida e tímida se tornaria uma das mulheres mais incriveis e batalhadoras que conheço.
    Sempre tirou de letra todas as adversidades que lhe eram impostas, causou profundas mudanças de adaptação do prédio da escola, mas a mudança mais profunda foi a que causou em todos nós!
    Aprendemos que conviver com as diferenças e adversidades do dia-a-dia é fácil. Não quero cair no clichê de falar que ela é uma lição de vida, um exemplo de superação e blá blá blá. Não a Day é mais! Uma adolescente que teve de enfrentar, além dos dilemas de qualquer adolescente, o preconceito, a indiferença e um monte de outras coisas.
    É isso, quem não a conhece, saibam que ela é tudo isso e muito mais! Bejo day

    Ah! Acompanhem o blog dela… vale a pena (Y)

  5. Dayane Amaro Costa says

    Ahhh e além de tudo tenho amigos maravilhosos!!!

    Jéssica, saudades mil!

    Carlos, adoro seus comentário e também te admiro demais viu, amigo que quero ter pra vida toda!

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