Leitura da Onça – 1822

Imagem: Reprodução.
Imagem: Reprodução.

A coluna Leitura da Onça demorou, mas voltou. Mea culpa. A vida anda tão corrida, que demorei um pouco até conseguir começar e terminar um novo livro para contar aqui no blog. Enfim, vamos lá para a dica!

Como devem ter percebido, sou apaixonada por história e, mesmo um pouco atrasada, acabei de ler 1822, do autor Laurentino Gomes.  Sim, ele recentemente lançou 1889, que conta a história da Proclamação da República no Brasil (aliás, estou louca para ler e aceito como presente  hahaha!), mas eu chego lá =)

Me lembro das minhas aulas de história, em que eu fazia “resumos”, e achava que era muita coisa para memorizar.  Mas, posso falar? Aquelas folhas e mais folhas de papel não chegam nem perto do tanto de coisa que a história do Brasil tem pra contar. O livro, além de ter uma linguagem bem didática, tem os capítulos muito bem estruturados para você não se perder no meio dos muitos detalhes, datas, nomes. Basicamente, você começa e não quer parar!

Os meus capítulos preferidos foram, especialmente, os que tratavam de pessoas. Com descrições minuciosas, fatos curiosos e até mesmo divertidos, o autor conta como eram os personagens que mais influenciaram a história de um país que tinha tudo para dar errado – como diz a própria capa do livro.

Pra mim, Dom Pedro I era aquele cara da minissérie “O Quinto dos Infernos”, da Globo, em que mais sassaricava do qualquer outra coisa.  Aí, você olha aquele quadro do Grito do Ipiranga e imagina que é uma foto da Independência. Pois é, nada disso. E é por esse motivo que os livros de história me fascinam tanto – principalmente os escritos pelo Laurentino -, porque eles contam aquilo que a gente não fica sabendo na escola, nem o que é conveniente. Me parece que esse estilo literário tem a função de desvendar o que aconteceu, contar sem segundas intenções desde os atos heroicos até os humilhantes e cômicos vividos pelos protagonistas e coadjuvantes da história.

Falando nisso, minha maior satisfação em ter lido 1822 é conhecer de verdade, além da história do meu País, um pouco de cada um que fez parte dela, não só com o que contribuíram para o Brasil, mas como pessoas de carne e osso. Assim como nós, eles também tiveram dúvidas, foram intransigentes, caíram em paixões arrebatadoras e perderam a razão. Em outros momentos foram fiéis, amáveis, generosos, intelectuais, revolucionários. Fizeram e desfizeram amizades, começaram e terminaram romances, ganharam a perderam dinheiro. Foram felizes, amargos, tristes, engraçados… Eles foram humanos.

O que quero dizer é que com esse livro, me dei conta que todos nós somos muito mais do que uma única e, na maioria das vezes, incompleta imagem. Somos multifacetados, porque a cada fase  a vida nos apresenta as armas que temos para usar. Dom Pedro, princesa Leopoldina, Marquesa de Santos, José Bonifácio, eu e você somos feitos das mesmas matérias-primas: as influências, as circunstâncias, os sentimentos, os interesses e, portanto, cada um de nós, foi e será muitos ao longo de nossas próprias histórias.

Foi isso que 1822 me ensinou. Muito mais do que uma matéria importante para passar no vestibular, história se tornou fonte de inspiração e de reflexão para minha vida.

Obrigada, 1822. Obrigada, Laurentino Gomes.

Nat - Dona Oncinha

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