Leitura da Onça | Eu sou Malala

“Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. Educação é a única solução”  
 Malala Yousafzai
Talvez a primeira pergunta que você possa fazer é “Quem é Malala?”. Foi exatamente essa a última frase que ela ouviu antes de ser baleada no rosto pelo Talibã quando voltava da escola. Quando o calmo e lindo vale do Swat, no Paquistão, virou um verdadeiro cenário de guerra com a presença violenta dos extremistas talibãs, uma menina viraria símbolo de resistência e de luta pelo direito de todos, principalmente das mulheres, à educação. Seu nome? Malala Yousafzai.
Pode-se dizer que por um milagre, Malala sobreviveu. Os tiros não conseguiram calar a voz da menina de apenas 14 anos, pelo contrário, só conseguiram aumentar o tom dos seus discursos e o tornaram ainda mais persistente. E o mundo reconheceu isso: Malala foi a mais jovem a ser indicada ao Prêmio Nobel da Paz.
Filha de mãe analfabeta e pai ativista e dono de uma escola, ela entendia muito bem a importância da educação na formação de pessoas conscientes e com mais oportunidades de um futuro melhor. Para um mundo melhor. O problema é que os militantes talibãs impunham suas regras, ou seja, nada que não fosse “aceito” pelo islamismo – uma óbvia desculpa para que a maioria da população permanecesse ignorante e não se manifestasse contra a tomada de poder. As escolas para mulheres eram um dos alvos dos militantes. O pai de Malala e ela própria passaram a ser mirados também após muitos discursos públicosdos dois contra o Talibã.
Então, em 2011, a pergunta finalmente veio: “Quem é Malala?” e, antes que ela pudesse responder, o gatilho foi apertado enquanto ela segurava firme a mão de uma de suas melhores amigas. Pressentia o que estava pra acontecer. Em estado grave, ela foi levada para Inglaterra, onde mora hoje com a família, já que não está segura mais no Paquistão.
Foto: Durante a leitura do livro teve luz.
Foto: Durante a leitura, luz.

O livro consegue nos transportar para uma cultura totalmente diferente, da qual, geralmente, só ouvimos falar de ataques de homens-bomba ou vemos nas novelas da Globo. Felizmente, o islamismo não se resume a isso e tem coisas lindas para nos ensinar. O zelo pela honra acima de tudo, a hospitalidade, a gentileza. O fascinante de livros assim é que você tem um panorama geral, mas pode extrair só os bons conselhos. Levei muitos comigo, entre eles um veio desses versos citados no livro:

 

Primeiro vieram buscar os comunistas
E eu não disse nada por não ser comunista.
Depois vieram buscar os socialistas
E eu não disse nada por não ser socialista.
Então vieram buscar os sindicalistas
E eu não disse nada por não ser sindicalista.
Em seguida, vieram buscar os judeus
E eu não disse nada por não ser judeu.
Também vieram buscar os católicos
E eu não disse nada por não ser católico.
Então vieram me buscar,
E não havia ninguém para me defender.
{Martin Niemöller}
Independente do caráter político, fica fácil entender a essência dessas palavras. Que tenhamos coragem diante das pequenas injustiças (mesmo que não seja do nosso interesse), coragem para nos levantarmos para ir atrás e cobrar quem nos representa (ou pelo menos deveria) em Brasília, coragem para mudar a vida em busca de algo melhor, coragem para conquistar direitos, coragem pra dizer o que está entalado, coragem para perdoar e pedir perdão, coragem para ser feliz, coragem para admitir erros e dizer “não sei”, coragem para ser quem quiser, gostar de quem quiser. Coragem pra viver.
Porque coragem não é questão de cultura, mas de espírito.
O que e  onde encontrar:

Eu sou Malala

Escrito em parceria com a jornalista Christina Lamb

Editora: Companhia das Letras

Livraria Saraiva

Livraria Cultura

Fnac

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