Livre para me prender

Leia ouvindo: John Mayer – Who Says

Acho um saco ser cobrada por certas regras sociais que não estou a fim de cumprir. Muita gente não entende que individualidades existem para nos diferenciarem, e que é por ter tanta gente distinta que o mundo é assim interessante. O respeito, aliás, por vezes passa longe.

Ser solteira não me confere obrigatoriedade de colocar uma saia curta e sair para dar pinta no fim de semana. E se eu preferir a companhia do livro? Assim como minha profissão não define meu vocabulário, minha imagem não define meu caráter, minhas redes sociais não definem a minha vida e minha idade não define meus pensamentos.

[ Imagem: reprodução ] 


Me dou o direito de pensar como quero e de mudar a opinião quando bem entendo. Não quero ser comparada a exemplares de mesmo patamar social ou profissional porque, obviamente, nunca serei nenhuma delas. Me permito admirar algumas pessoas e colocá-las como exemplo a ser seguido, mas nunca como um padrão a ser alcançado. É uma questão de empatia, não de igualação.

Quando a gente entende que somos o que há de mais importante para nós mesmos, passamos a dar valor às coisas mais simples e rotineiras. Entendemos que os sábados em casa são importantes para o descanso do corpo e da mente, que estar em própria companhia é essencial para a compreensão do que nos faz bem e que ouvir música não precisa ser sempre um exercício de associação entre melodias e pensamentos, mas apenas dar trilha sonora ao silêncio. Quem sabe a gente até aproveite o silêncio. Ele é, por vezes, altamente necessário. Principalmente quando se quer ouvir a paz do coração.

Ao mesmo tempo que fazemos isso, aprendemos a não nos importarmos com ditadores sociais, que pensam que a solução de todos os problemas jaz na resposta que antes eles tiveram. Esquecem-se que, assim como perguntas, respostas são variáveis temporais. Mudam como a gente muda.

Metade desse texto foi escrito enquanto me esticava na minha cama à 1h da madrugada do sábado para o domingo. Sem culpa nem remorso, com a certeza da escolha certa para aquele momento, me deixei ninar pelo barulho da vida lá de fora enquanto decidia, temporariamente, ficar em paz aqui dentro. A doce liberdade de me prender quando quero.

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Bianca Carvalho
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Bianca Carvalho

Uma carioca branquela, bagunceira e desbocada. Uma mulher questionadora, inquieta e expansiva. Uma amante do mundo, dos cachorros e de pessoas apaixonadas pela vida.

2 comentários em “Livre para me prender

  1. Perfeito, é assim que me encontro, aos 30, solteira e adorando me fazer companhia as sábados, lembrei q sábado passado recebi uma msg pelo facebook inbox as 1 da madrugada de uma cara perguntando o que eu, solteira estava fazendo num sábado a noite em casa e que isso era perca de tempo, tive vontade de não responder, mas educadamente digitei, curtir o sono da filha que dorme ao meu lado, ler, assistir filmes e ser minha companhia não é desperdício é evolução. por isso amo esse blog, mesmo comentado pouco ou quase nunca, me identifico muito e falo sempre pra amigas dos textos que leio aqui e elas vem atrás. Sucesso pra vcs!!

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