Meu sapo {de pelúcia}

Leia ouvindo: Little Talks  – Of Monsters and Men

Primeiro de tudo, deixem-me apresentar o Valter. Valter é meu sapo de pelúcia. Ganhei ele da minha mãe no Dia dos Namorados há alguns anos, na tentativa de dar humor a uma data em que não havia nada para comemorar. O bilhete que acompanhava me lembrava de que era importante acreditar “Que um dia esse sapo se transforme em seu príncipe. Feliz Dia dos Namorados! Beijos, mamãe”. Confesso que a tentativa deu certo, eu ri de mim mesma naquele dia. Estava lamentando muitas coisas, mas Valter estava ali para representar o “tudo tem a sua hora”.

Os anos se passaram e Valter e eu nos demos muito bem, criamos um laço, se é que é possível já que ele é um bicho de pelúcia. Acho que é, porque os significados somos nós que atribuímos às coisas. Converso com meu sapo sobre quase tudo, tem coisas que prefiro guardar só pra mim. Mas de qualquer forma, Valter é um bom ouvinte. Paciente e disponível. Independente da alergia, ele dorme do meu lado.

Imagem: reprodução.
Imagem: reprodução.

Quando chego em casa, a recepção é do sofá, do fogão e lá no quarto, do Valter. Esses dias olhei para ele e disse (sim, eu falo com ele em voz alta): você não se transformou em um príncipe, mas me tornou uma pessoa melhor. O príncipe em questão não é o cara ideal, pode ser qualquer pessoa. Isso porque nos meus diálogos (ok, monólogos) com meu sapo de pelúcia percebi que estar sozinha foi a melhor coisa que me aconteceu. Ou melhor, em minha própria companhia. Descobri o prazer em conversar comigo mesma, rir de mim mesma, enxugar minhas próprias lágrimas, arrumar minha bagunça, e a valorizar minhas conquistas – tomando uma taça de vinho, de preferência. Eu. Eu. Eu. Acho que primeiro a gente tem que exagerar, para depois chegar no meio termo.

Não foi em um passe mágica que tudo aconteceu, demorou muito. Doeu também. Mas enquanto conversava com o Valter justamente sobre como me sinto bem aqui, no meu canto com o meu silêncio é que me dei conta de tudo o que tinha mudado em mim. Não teve feitiço ou encantamento, nem mesmo o romantismo de um beijo que quebra uma maldição… Teve só um sapo de pelúcia que fez de hoje um final feliz.

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