Meus “eus”

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Leia ouvindo: Of Monsters And Men – Little Talks 

Queria ser lago, mas sou mar.

Tenho ondas aqui dentro.

Queria ser hoje, mas sou amanhã.

Meu tempo é lá e aqui o que ficam aqui são perguntas.

Queria ser garoa, mas sou tempestade. Um bocado de drama.

Queria ser flauta, mas sou escola de samba.

Falo alto por aí, mas o meu grito é para dentro.

Queria ser chá, mas sou cachaça. Viro tudo em um gole só.

Queria te convidar para ficar, mas nem eu sei se fico. Minhas idas e vindas são muitas. Sou mudança de rota.

Queria só caminhar, mas me faço correr. Nem eu sei para que.

Queria ser exatidão, como dois mais dois são quatro. Mas a exatidão não cabe em mim. Sou extravaso. Reação.

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[ Imagem: reprodução/Pinterest ]

Queria ser joão de barro, mas sou beija-flor. Vou experimentando. Pousando. Voando.

Queria ser tantas coisas que não sou. Mas sou tantas outras que não imaginava ser. Me revelo em cada lance de escada que subo.

Me descubro mais eu a cada tropeço na calçada.

Lembre-se, menina, que existe uma permanente e silenciosa movimentação que acontece como pangeia em você.

Depois de algum tempo, é que quem está de fora vai conseguir realmente ver a diferença.

Queria ser um pouco mais eu mesma diante de olhares atentos.

Queria ser mais tempo e menos pressa. Me quero de todos os meus melhores jeitos, sem precisar perder meus piores.

Sem jamais perder a minha essência.

A graça é essa.

Natália Mota

A inércia me incomoda e nisso Raul me define: uma metamorfose ambulante. Geminiana de coração mole e tagarela com voz ardida. Publicitária por acidente. História é mais do que o passado, é inspiração para a minha própria história. As palavras colocam em ordem o que só eu vejo. Aos poucos, fazendo minha biblioteca.
Orgulho por também ser uma onça.
Natália Mota

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