Morando Sozinha | O peso da Mala

Leia ouvindo: James Hersey – Coming Over (Filous Remix) 

Tirei a mala maior do armário. Aquela de 32 kg que a gente leva a vida para passear alguns dias. O motivo? Voltar a dormir na cama que era minha até os 17 anos, comer a comida da minha avó, arrumar armários com a minha mãe, rever amigos de infância, dormir até tarde, brincar com as minhas cachorras e enfim, pisar dias consecutivos na grama.

Dá um aperto no coração fechar a casa, conferir se desligou tudo, se não esqueceu a escova de dente, o creme de cabelo para piscina e os chinelos. A casa ficará sozinha por pelo menos 15 dias, sem vida, música alta, geladeira cheia e barulho de gente. Um silencio necessário para ela  – e vizinhos. Um quietar-se para reviver novamente dentro de alguns dias.

Levo ela comigo. A chave está na bolsa, a porta está finalmente trancada e a despedida é breve: até 2015. Vou sentir saudade, claro. Ali é o meu espaço, meu templo, mas preciso viver o mundo lá fora. Sei que lá dentro tudo continua meu. Mas para transformar ali, eu preciso sair por aqui.

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[ Imagem: reprodução ] 

Na descida peço proteção ao lar, rezo baixinho e logo a porta do elevador abre. É hora de colocar a mala, pesada de tantas lembranças de um ano bom dentro do carro e dirigir uma hora até o lugar que é e sempre será o meu lar, a casa dos meus pais. É ali que eu volto a ser filha, que não me preocupo com o horário do almoço, que a roupa de cama é macia, que não tenho o despertador para acordar mas sim o beijo da minha mãe. Meu pai lava meu carro, minha avó se ocupa com os bolos no final da tarde, minhas cachorras saem para passear 2x por dia e as brincadeiras com bolinha são mais frequentes.

A vida ali é ao ar livre com direito a manga e laranja direto do pé. A jabuticabeira começa a dar os primeiros frutos e as orquídeas da minha avó florescem. As vezes sinto falta da vida com as minhas paredes, mas é bom viver em 4 vozes. É bom lembrar que tenho raízes para voltar, independente do mundo lá fora.

Morar sozinha é uma dádiva, mas ter um lugar para voltar sempre que se sentir sozinha e chamar de lar é divino!

[ O #MorandoSozinha volta em 2015. Com novidades, amor, afeto e histórias ] 

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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