MORANDO SOZINHA | PIA DE LOUÇA

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Entre cozinhar e lavar louça, eu escolho sempre a primeira opção justamente para não cair na segunda. Odeio lavar louça, acho que existe muita vida lá fora para se perder encostada numa pia ensaboando e enxaguando pratos e talheres.

Sempre tive caso de “ódio” com a pia e a louça, mas daí eu decidi morar sozinha, e advinha só? Tive que encarar o “ódio”, a pia e a louça. Ironias da vida!

Logo que mudei para o meu apartamento, optei por não ter máquina de lavar louça. Primeiro por ser caro e segundo pela falta de espaço. Ou seja, toda e qualquer louça que acumulava eu era obrigada a lavar. A trégua vinha quando a Dona Antônia, minha antiga faxineira, chegava em casa. A louça era todinha dela.

O mundo dá voltas até para essas pequenas coisas. Dona Antônia voltou para Juazeiro e me deixou aqui, na bagunça do lar e com a louça para lavar. Desde então, encaro quase que toda noite a pia e sua terapia. Pois é, o “ódio” virou amizade. É ali, na pia de louça, que eu penso no dia, listo pendências, ligo para amiga, falo sozinha e, por fim, lavo a louça acumulada.

Lavar louça não é a melhor coisa do mundo, mas tento aproveitar o lado bom. É o meu horário de terapia, depois eu volto para o trabalho pesado, a vida dupla de publicitária e escritora meia tigela, aos meus desamores, decepções, academia, boas notícias e a rotina do dia a dia.

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[ Imagem: reprodução ]

O que antes era uma obrigação na casa dos meus pais, hoje virou cotidiano aqui em casa. Já escrevi – mentalmente, claro – textos lavando louça, já chorei por decepções vividas, já quebrei copos e pratos por ser desastrada, já gargalhei lembrando das histórias que vivi num final de semana, já tive ótimas ideias e até tenho playlist especial para essa hora do dia.

Vida corrida, horas contadas e tarefas, muitas tarefas, para dar “check” durante o dia. Rotina louca e pessoas surtadas tentando fazer tudo e não se encontrando em nada. Nessas horas de maior desespero eu lembro que chegando em casa eu vou ter a pia de louça me esperando. Não que seja uma cia agradável para se bater papo, mas é ali, no meio da água, sabão e glamour zero, que eu lembro do dia e faço um balanço geral de tudo que me aconteceu.

Não dá para parar, não se pode mais reclamar, e nessa doidera de morar sozinha se tem uma coisa que eu aprendi foi a terapia de lavar louça. Se ainda não pratica, pratique. Se a sujeira da louça sai com água e sabão, imagina o que ela não faz com a imaginação (até texto!).

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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