#MorandoSozinha | A arte de falar com as paredes

Leia ouvindo: Miles Kane – Don’t Forget Who You Are

Paredes têm ouvidos, por isso mesmo que eu falo com elas. Morar sozinha também é ser um pouco maluca e engatar diálogos de perguntas e respostas com elas. As vezes eu grito, brigo e xingo pessoas. Só as paredes sabem o meu verdadeiro caso de amor e ódio. As vezes os vizinhos também, mas eles pouco me importam. A necessidade de falar é maior.

Já perdi as contas de quantas vezes falei com elas. Chorei outras tantas. Elas sabem de todos os meus dramas, vontades, amores, tristezas e felicidades. Elas também conhecem o motivo do meu mais profundo silêncio. Não é fácil ter um dia ruim e não ter com quem conversar, ou receber uma boa notícia e não ter quem abraçar.

Quando a gente mora sozinha faz amizade com paredes, usa a pia de louça como terapia, o travesseiro para choro e pensamentos, e o banho para lavar a alma. Aprendemos que sentimentos precisam ser colocados para fora, que resolver algumas situações é tão importante quanto lavar roupa toda semana. Aprende que frutas estragam com muita facilidade, que iogurte é um baita café da manhã e que desligar o despertador e obviamente atrasar é normal. Aprendemos  a valorizar amigos que estão do nosso lado, para conversar ou chorar, mas aprendemos principalmente que o mundo e a vida, se enfrenta sozinho mesmo.

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[ Imagem: reprodução ]

O mundo não vai parar só porque você está sofrendo ou tendo um dia ruim. Também não vai desligar só porque você está a fim de gritar. A vida não é mole, é rígida. Aqui você ganha, perde, sorri, chora, acorda, dorme e vive cada dia como se fosse o último, porque sejamos sinceros, um dia vai ser mesmo.

Quem mora sozinho aprende tudo isso que eu disse acima numa intensidade maior. Quem está ali dividindo teto e tretas com você, é você mesmo. É um dia de cada vez, as diversas contas quando vira o mês, o mundo em um espaço relativamente pequeno e aconchegante, só seu e de mais ninguém.

Falar com as paredes é a menor das loucuras quando se vive só. Falar com as paredes é aprender a desabar dentro de casa, é se ouvir, se perdoar, aproveitar mais a vista, olhar mais ao redor e valorizar a hora de falar e principalmente ouvir, se ouvir. Quando a gente aprende que muitas vezes nas perguntas feitas existem as respostas, respeita.

Se eu pudesse te dar qualquer conselho seria esse: fale menos pelos cotovelos e mais para paredes. Por mais que elas tenham ouvido, cotovelo tem dor.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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