#MorandoSozinha | A Rainha da comida congelada

Leia ouvindo: Lune – Leave to world Behind

Não foi fácil sair de casa para crescer. Ainda não é fácil. Cada dia que passa percebo que tenho menos tempo e mais pressão. A casa vive bagunçada, meus horários também. Na geladeira algumas frutas, legumes e marmitinhas feitas com amor pela minha mãe. No congelador existem muitas delas.

É um pedaço lá de casa aqui perto. É o gosto da comida da minha avó misturado às outras comidinhas da minha mãe. Amor que sacia a fome, mas que mata de saudade. Não é fácil viver com o coração apertado, muito menos ter que preparar a própria comida todo santo dia. Já fui nomeada oficialmente pela família como a Rainha da Comida Congelada.

O cenário acima é passado. Vivi anos assim, entre potes e microondas. Minha mãe sempre amou esse cuidado, minha avó mimava mandando até marmitinha de brigadeiro, mas o meu reinado chegou ao fim três anos depois da mudança para o meu apartamento e o ganho de alguns – muitos – quilos.

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[ Imagem: reprodução ] 

A Rainha da comida congelada abandonou o microondas e ganhou um dos melhores presentes dos últimos tempos: um fogão. Estava ali a minha chance de cozinhar e descobrir a cozinha, de maneira mais saudável e divertida. Divertida mais ou menos, um caos. Queimei panelas, deixei o leite ferver demais, o arroz empapou, o bife endureceu e o ovo frito virou mexido. Uma coordenação sem fim. De Rainha a Pilota desastrada.

[ – Mãe, cade as suas Marmitas? | – Vó, como tempera a carne? | – Mãe, como é que faz pra carne moída não ficar empelotada? | – Vô, quanto tempo até o feijão ficar bom? ] Que saudade da comida congelada lá de casa!

Depois de alguns anos aprendi a deixar o arroz soltinho, o bife macio, o leite ferver sem derramar e juro, nem queimo mais panelas. Meu ovo frito continua sendo mais ovo mexido, nunca mais comprei miojo, aprendi a cozinhar risotto, sopa e carne com batata. Esses dias derrubei a massa de bolo inteira no forno. Ontem liguei para a minha avó para saber como cozinhava chuchu. Semana retrasada decidi fazer salmão e tive que seguir as instruções da minha mãe.

Aprendi a cozinhar sozinha e também a morrer de saudade das marmitas congeladas lá de casa, mas isso acontece vez ou outra. Visitar minha família virou motivo para levar mala extra e voltar para a minha casa carregada – literalmente – de amor. Chegou a conclusão que não existe nada de Rainha da Comida congelada, existe sim, uma menina mimada.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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