Mulher que sente | Medo de escuro

Leia ouvindo: Kelly Clarkson – Breakway

Eu não gosto dele. E não adianta falar que não tem motivos para isso. Eu não gosto e ponto. Medo não é racional, nem requer explicações. Desde criança, ele me assusta. Tudo ia bem até chegar à noite… Mas quando ficava somente eu e ele no quarto, vinha um nó na garganta. Na minha cabeça, era só fechar os olhos que iriam sair monstros do armário ou debaixo da cama. Qualquer estalo na madeira dos móveis era motivo para acender a luz. Correndo. Sempre que recorria aos meus pais, logo ali na porta ao lado, minha mãe me dizia: feche os olhos e reze até pegar no sono.

Foto: reprodução
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Demorava. Eu fechava e abria os olhos, achando que ficando alerta, estaria protegida. Hoje eu penso: qual era o perigo? Às vezes a gente nem sabe o que teme e teima em achar que sabe. Para escrever esse texto, tive que pensar para definir porque raios tenho medo de escuro. E indo a fundo, acho que tem a ver com a ansiedade.

No escuro, você não enxerga, só imagina. Com a ansiedade, também é assim. Você cria, com engenhosidade tamanha que já crê ser verdade, mas não passa de uma projeção do que você gostaria ou não que fosse. O escuro mete medo porque não revela nada, mas pensando bem, uma luz que ofusca também cega.

E quantos “breus” já não encontrei além daquele do meu quarto de criança? Vários. Todos os dias a vida me pede para não ter medo, mesmo sem mostrar um palmo a minha frente. Assim como a minha mãe, ela diz para eu rezar, fechar os olhos e cair no sono. Afinal, é à noite que os sonhos vêm.

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