Mulher que sente | Vontade de rir

Leia ouvindo: Square Heads – Happy

Começa pequeno. É uma coceguinha lá dentro da barriga, não sei bem onde, e uma tremedeira por fora dela. Cresce com uma velocidade estranha, mais eficaz que a de muita máquina tecnológica ou automobilística, e toma conta do corpo inteiro. A gente sabe que vem à superfície pelo som contagiante e pela brancura dos dentes à mostra. Explodem-se gargalhadas, daquelas descontroladas, altas, desengonçadas. As mais prazerosas.

No que diz respeito a saber onde e quando a gente pode ou deve rir, afirmo com convicção que não tenho um pinguinho de maturidade. Sou daquelas que riu no meio do esporro do chefe, gargalhou com questão de prova, chegou a sentir a barriga doer no meio do sermão do padre na missa. Pode ter sido por coisas pequenas, sem o menor sentido, ou piadas internas. Quem sabe até que a situação fosse mesmo engraçada, eu não sou de todo pirada. Só sei que sou gargalhada.

{ Imagem: reprodução }
{ Imagem: reprodução }

Clichê como só eu mesma, espia onde escolhi morar: Rio. Verbo rir, conjugado na primeira pessoa do singular. Ação. Descontração. Eu Rio. De janeiro a janeiro. Eu rio. Porque como dizem por aí, é definitivamente o melhor remédio. Seria terapia? Passatempo? Pra mim, um hobby. Mais que isso: ritual sagrado.

Discrição não é o meu forte. Puxei da mamãe os decibéis mais altos que uma risada pode atingir, e adicionei a ela os gestos mais bruscos e chamativos. Palmas, mão no rosto, me jogar no chão. Qualquer coisa que torne aquele pedacinho de momento delicioso ainda mais intenso. Porque sim, eu tenho preguiça de ser discreta, e uma disposição infindável para a pagação de mico. Possuo a incrível mania de colecionar momentos memoráveis, e torno todo e qualquer pedaço de uma terça-feira comum em uma noite para não esquecer.

Se eu pudesse escolher uma convenção biológica para mudar, eu pedia pro cara lá de cima fazer a gente sair da barriga da nossa mãe rindo. Pra que chorar? A gente batalha, se cansa, sente dor, faz parte da vida, nem pediria para ser diferente. Mas se o objetivo de tudo na nossa vida são os motivos para sorrir, que sejam ínfimas as lutas e eternas as gargalhadas.

Sinto uma vontade incontrolável de rir, e acho o descontrole mais atraente que poderia desejar. É um acúmulo de benefícios para o corpo, para a mente, para os músculos, para o coração. Para a amizade. Para mim. Para o mundo.

 

Assinatura_Bia

Bianca Carvalho
Últimos posts por Bianca Carvalho (exibir todos)

Bianca Carvalho

Uma carioca branquela, bagunceira e desbocada. Uma mulher questionadora, inquieta e expansiva. Uma amante do mundo, dos cachorros e de pessoas apaixonadas pela vida.

Um comentário em “Mulher que sente | Vontade de rir

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Voltar ao topo