FINANÇAS DELA * MULHERES QUE NÃO NEGOCIAM COM A MEDIOCRIDADE

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Fui questionada algumas vezes do porquê falar sobre independência financeira para mulheres, fazendo distinção de gênero, afinal, nós já tínhamos conquistado o nosso devido espaço. Sinceramente, acho que algumas pessoas ainda não se deram conta do quão estamos enraizados em uma cultura masculinizada (para não dizer machista, afinal, é meu primeiro texto por aqui, e eu prometo que vou tentar ir com calma). *nota da editora: pode acelerar, Carol ;)*
E é por isso que darei meus primeiros passos por aqui sob uma ótica, um contexto atualíssimo: O COVID-19.
Hoje pela manhã estava ouvindo um podcast que falava sobre a reabertura em alguns países pós quarentena, e fiquei extremamente incomodada com o relato de uma jornalista que está na Itália, sobre o que aconteceu por lá na primeira semana: A população estava vivendo em uma das quatro fases de relaxamento social, medidas estas previstas pelo governo, onde parte das atividades econômicas e sociais, já começou a funcionar, ou seja, 4.5 milhões de pessoas já retomaram os seus postos de trabalho, o que era pra ser algo extremamente positivo, se não fosse pelo simples e fatídico fato de que a educação presencial está prevista para retomar apenas em setembro.

E por que isso é tão preocupante? Porque os dados já comprovam que a retomada da mulher dentro deste cenário foi menor que 30%. Mais de 70% da mão de obra que está sendo inserida na economia, é masculina. Famílias que possuem crianças não podem simplesmente retomar às atividades. Destas, grande parte são mulheres que abrem mão pelos seus, e isso é extremamente legítimo. Mas, mais uma vez, estamos sujeitas à fragilidade (ou seria imposição?) do sistema, e corremos o risco de perder o nosso tão suado – e ainda limitado – espaço no mercado de trabalho.
Por que falar de liberdade financeira especialmente para mulheres?
Porque conquistamos o direito a uma conta bancária, sem que ela seja previamente autorizada pelo marido, há menos de 60 anos. Porque, mesmo tendo conquistado direitos constitucionais que pregam a igualdade, ainda recebemos menos que os homens. Porque somos mais vulneráveis ao sistema, simplesmente, porque ele é patriarcal.
E porque, apesar dos pesares, somos mulheres que NÃO NEGOCIAM COM A MEDIOCRIDADE.
Caroline Rosa

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