Mulher que sente | Nostalgia

Leia ouvindo: We are Trees – Sunrise Sunset

Se alguém me perguntasse hoje do que mais sinto nostalgia, aquela tristeza causada pela saudade, minha resposta seria uma só: da ingenuidade de ser menina. Daquela fase em que se fantasia o amor, fantasia a rotina diária ao lado de quem amamos, daquela mania absurda que a gente tem, quase sempre quando adolescentes, de acreditar que só sentimento basta para ser feliz. Tolinha que fui. Um sentimento verdadeiro é de fato a grande dose, mas não o único ingrediente.

Sinto uma saudade absurda de acreditar em tudo o que leio, em tudo o que escuto, em tudo o que vejo. O tempo e as experiências tiram aquela vendazinha cor de rosa da vida, e os nossos olhos começam a sentir a necessidade de estar em sintonia com a razão, nossos sentidos começam a sentir a necessidade de coerência. E é aí que mora o perigo: quando a gente começa a pensar duas vezes antes de se atirar aos arroubos de um outro amor.

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Nostalgia dos sonhos. Das nuvens em forma de coração, das flores sem datas específicas, dos emails trocados diariamente e que finalizavam sempre com um “O amor da vida da gente é um só, e o meu é você!”. Mas e aí, quando ele acaba? Ah, que saudade que eu sinto da época em que acreditei, com todas as forças que uma menina-mulher poderia acreditar, que Amor quando escrito com letra maiúscula, nem o tempo seria capaz de apagar.

Não quero viver de lembranças, não quero viver do que não foi. Não quero me fechar também numa conchinha e achar que ela seja incapaz de produzir novas pérolas. Mas aquela inocenciazinha, aquela fantasia de amor incondicional, de alguma forma a gente só sente uma vez. E depois, claro, morre de saudades. É que a vida, meu amor, a vida é realidade. Avante!

Manu Berbert

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Baiana. Tom de voz alto, personalidade forte e palavras firmes. Observadora do mundo, das pessoas e dos seus comportamentos. Os olhos apontados para tudo, mas o dedo geralmente apontado para si mesmo.

2 comentários em “Mulher que sente | Nostalgia

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