Não devo nada a ninguém

Leia ouvindo: The Black Keys – Gold On The Ceiling

Qual o sentido de viver uma vida retraída, sem emoção, se importando demais com o que terceiros falam e de menos com o que seu coração e âmago gritam? Por que se considerar merecedor de tantas fortunas quando tudo o que a vida clama é por um pouco mais de aventura e você ainda aí, escondido dentro desse baú de medo e vergonha? Tão curioso observar que fomos todos igualmente presenteados com o nascimento e tão poucos de nós se libertam das cordas líricas que cismam em nos amarrar.

Volta e meia acordo com sentimentos revolucionários, com preguiça do cotidiano e da mesmice e uma curiosidade imensa de viver os dias sem me importar. Com nada. Dessa vez, abri os olhos e dei de cara com a máxima mais velha e cheia de sentido que já ouvi no grito popular: eu não devo nada a ninguém. Tirando papai e mamãe, que se esforçaram no level hard pra me dar uma vida boa e digna, eu realmente não devo nada a ninguém.

Já fui confrontada diversas vezes com ideias estapafúrdias de que eu deveria ser, estar, me vestir, falar, rir ou me divertir de forma diferente. Dessas, me coloquei no modo pensativo algumas tantas. Em todas, a conclusão foi a de que não faria o menor sentido tentar ser quem eu não sou. Então fui, estive, me vesti, falei, ri e me diverti daquela forma especial que me pertence, do jeitinho que só eu sei fazer. Aquela velha história de ser eu mesma porque todos os outros já estão tomados.

[ Imagem: reprodução ]

Não entendo porque nossas vontades de deixar o próximo satisfeito ultrapassam as necessidades de agradar a nós mesmos. Agir de forma a abrir o sorriso alheio em troca de, por vezes, entristecermos por dentro, e fazer da nossa falsa aparência o escudo para que ninguém descubra o que temos de mais verdadeiro. Não, não dessa vez. Goste de mim do meu jeito ou coloque-se da porta pra fora.

Não devo a ninguém: explicações, sentimentos, comportamentos, nem mesmo dinheiro, presente, caronas, presença. Não devo a ninguém nada daquilo que eu queira ou não queira ser, não devo a ninguém coisa alguma que eventualmente esperem de mim. Devo a mim mesma compactuar com todas as minhas loucuras e desejos, comparecer aos meus sonhos mais insanos e me desviar de tudo que é negativo. Devo somente ao mundo a alegria de usufruir da maravilha que ele é e a gratidão de poder fazer parte dele.

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Bianca Carvalho
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Bianca Carvalho

Uma carioca branquela, bagunceira e desbocada. Uma mulher questionadora, inquieta e expansiva. Uma amante do mundo, dos cachorros e de pessoas apaixonadas pela vida.

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