Não era amor, era cilada

Leia ouvindo: Mayer Hawthorne – The Walk

Ele era um cara legal. Claro que era! Tinha ficado comigo mesmo eu tendo quilos e quilos a mais que o maldito peso ideal, e respondia as mensagens que eu mandava, as vezes até acrescentando pontos de exclamação!

Ele era um cara interessado. Claro que era! Uma vez por semana curtia minhas fotos nas redes sociais. Vez ou outra comentava comigo, em particular, que eu “até que era atraente arrumada daquele jeito”.

Ele era um cara generoso. Claro que era! Um dia comentou que eu com certeza devia ser melhor na cama que as minhas amigas, e por dois ou três encontros chegou a se oferecer para dividir a conta comigo.

Eu era uma grandíssima idiota. Claro que era! Aceitava migalhas e esmolas de um tremendo babaca emocional, porque, miserável que me sentia, achava que devia acatar o pouco (muito pouco) que o universo estava me proporcionando, achando até que aquilo era muito.

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Quando aquele frenesi absurdo de uma nova paixão ou encantamento passa, e acaba todo aquele romance inexistente que nossa mente cria, pode ser que a gente perceba o quanto podemos gostar de alguém por todas as razões mais erradas.

Quando a fase está ruim, por qualquer motivo que seja, tendemos a querer aliviar o peso de nossas frustrações no que aquela “pessoa especial” (que a gente chega a jurar pra si mesmo que seja) pode nos proporcionar. E naquela velha história do “não tem tu, vai tu mesmo”, multiplicamos à milésima potência as atitudes, que podem ser ridículas e dispensáveis, de um alguém de quem achamos gostar, que pode ser ridículo e dispensável.

Para ser uma pessoa especial, devemos, acima de tudo, ser amados pela pessoa mais importante de nossas vidas: nós mesmos. É quando a gente se dá o devido e altíssimo valor que aquele outro alguém passa a encontrar na gente o que há de mais brilhante e essencial em um mundo de superficialidades emocionais.

Eu já caí na roubada de me afundar num relacionamento mesquinho. Claro que caí! Levantei da queda com meio coração partido, e só aceitei mergulhar no próximo relacionamento com um coração inteiro. E cheio.

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Bianca Carvalho
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Bianca Carvalho

Uma carioca branquela, bagunceira e desbocada. Uma mulher questionadora, inquieta e expansiva. Uma amante do mundo, dos cachorros e de pessoas apaixonadas pela vida.

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