Neosaldina

Leia ouvindo: Temple Of The Dog – Hunger Strike

É menina, vai doer. Depois vai doer mais um pouco e depois a dor vai piorando, até você não aguentar mais. Até pode parecer uma dor de cabeça, uma enxaqueca forte, mas na verdade é só o fim.

Essa dor aí dentro todo mundo já sentiu na vida. Já quis pular de precipício, se matar, tomar neosaldina ou qualquer outra droga para passar. Quando chega o fim, a gente quer mesmo é tomar uma alta dosagem e viver menos. Viver miudinho.

Quando o miudinho invade, não há remédio que te apague. A vida dá porradas mesmo, é a função dela. Não se culpe, não se mate, não se julgue, não aponte erros ou acertos, simplesmente abrace o tempo. Uma hora há de passar.

O efeito do fim é terrível. É o ponto final numa história que muitas vezes não queremos terminar, é o limite que não queremos ultrapassar, é o pesadelo que não queremos ter. O fim é o fim. É quando não da mais, não vai, não volta, não fica, não acontece nada, tudo é vazio.

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[ Imagem: reprodução ]

Nada resolve o vazio. Deixar para trás é triste, cortar laços, amarras, escolher ir ou ficar. Tudo, tudo mesmo tem um fim, uma dor, um encerramento. E o que a gente precisa fazer é viver, é ir atrás de um novo começo, de uma nova história, de um novo refúgio, um novo motivo para encontrar um lugar de paz. É a hora de levantar, sacudir a poeira e ver o que dá para ser feito. O fim não tem explicação, está longe do nosso entendimento, julgamento.

Amor não se cura com neosaldina, chocolate ou colo de mãe. O fim, o amor e a perda a gente cuida com o tempo e entendimento.

Não fique triste pelo fim, fique feliz pelo novo. Olhe para a frente, para a outra a vida e para o recomeço. Para tudo, enfim; para alguns, afins; e para todos, o fim.

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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