Ninguém é tão ocupado como diz

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Era uma vez uma moça (não citaremos nomes) que não acreditava no que os homens falavam.

Ela pintava os cabelos e perguntava para algum homem o que ele tinha achado. A resposta, invariavelmente era “sim, ficou muito bonito”, até porque a moça (não citaremos nomes) era realmente muito bonita entretanto, ela não acreditava. Se cortava o cabelo, lá ia perguntar pro primeiro paquerinha que aparecia pela frente e, novamente, vinha a resposta “está muito bom”.  Mas ela era esperta demais pra cair na lábia dos homens. Jamais acreditava.

A moça (sem nomes, por favor) teve uns namoricos, uns casos pra falar a verdade. Sábado, dia de curtir uma noite, ia ela com um bonito vestido, alguns acessórios e a pergunta de praxe: “ficou bom?”, no que vinha a resposta “lógico, está linda!”. E a moça (não citaremos nomes) não acreditava.

Ela se achava muito esperta por não acreditar nos homens. Quando ela perguntava para algum namoradinho “no que você está pensando?” e a resposta era “em nada”, pronto… o circo estava armado. Como pode alguém não pensar em “nada”? E lá dava uma DR com aproximadamente 4 horas de duração e a inevitável separação. Afinal, a moça (o nome não interessa) era muito esperta para acreditar na primeira coisa que lhe falavam.

Um dia, ela se apaixonou. E parece que ele correspondeu. E saíram. Curtiram a noite como se não houvesse amanhã. Passaram a noite juntos, tomaram café na cama juntos, ficaram a manhã toda juntos até o finalzinho da tarde.

Frase para guardar no coração: “sempre há uma segunda-feira”. E a segunda-feira veio com toda a sua impetuosidade, toda a ressaca física e moral que possa carregar e pegou a moça (sem nomes) olhando para o teto a pensar em nada (embora, tecnicamente, ela mesma disse ser IMPOSSÍVEL não pensar em nada). Lá estava ela, em plena segunda-feira aguardando a bendita, ela, aquela que todas esperam, ela mesma que tira o sono, a que arranca a fome e que dilacera o coração com a sua não-chegada: a ligação do dia seguinte.

Esperou toda a manhã, agoniada, olhando para o celular, esperando, esperando e esperando. E veio o almoço, entrou a tarde e chegou no final da tarde daquela segunda-feira. Só não chegou a ligação. E veio a noite, meio da noite, meia-noite, madrugada e manhã seguinte. As horas chegaram com a pressa de 60 segundos por minuto, menos a ligação.

Passou um dia, dois dias se passaram, três dias, quatro, cinco, uma semana. Sem ligação. Ela pensou: ele está muito ocupado. E decidiu que ia ligar. Um toque, dois, três, quatro. Tuuuu, tuuuu, tuuuu… alô! Ele atendeu… ele atendeu…

Oi, tudo bem? Liguei pra saber de você (sumiu… mas não disse isso. Apenas pensou).
Estou bem, muito ocupado, sabe?

(eu sabia, eu sabia, ele não ligou porque estava muito ocupado). É, eu imaginava. Vamos combinar algo essa semana?

Hummm, não vai dar. Tenho uma viagem na sexta.

Ah, podemos combinar para quinta.

Então, na quinta tenho futebol.

Entendi. Na quarta?

Na quarta eu assisto futebol.

Ah… amanhã, então?

Amanhã tenho outro compromisso.

Então a gente se fala.

Isso, a gente se fala. E imediatamente desligou.

Ela pensou: ele é muito ocupado, é isso.

E lá se arrastou outra semana. E na segunda-feira seguinte, nossa heroína (o nome dela não interessa) ligou novamente. Dessa vez o telefone tocou, tocou, tocou e caiu na caixa postal. Ligou de novo e repetiu-se a cena. A moça (que o nome não interessa) nunca escutou a expressão “tomar toco de BINA”. E mandou SMS. Que nunca foi respondido.

O que a moça (que não falaremos o nome) não sabia é que SIM, é possível um homem pensar em absolutamente nada. Aliás, fazemos isso na maior parte do tempo, pois temos a cabeça de vento. Mas é ABSOLUTAMENTE IMPOSSÍVEL não termos tempo pra sair com uma mulher que estamos a fim de curtir.

Entenderam a moral da história moças do Brasil? Prometo não citar nomes.
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3 Comments

  1. Allan Nucci says

    Como você prometeu não citar nomes, eu teria uns 2 ou 3 nomes pra encaixar nesse texto, que por sinal, concordo PLENAMENTE, daqueles que eu gostaria de ter escrito. Mesmo.

    🙂

  2. Bianca says

    “Ele não está tão a fim de você.”
    Depois que assisti esse filme, cada vez que passo pelo desinteresse alheio essa frase ecoa na minha cabeça.

    Quem quer, dá um jeito!

    Ótimo texto!

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