Nunca por inteiro

Leia ouvindo: Bon Iver – Towers

Depois de me quebrar diversas vezes, percebi que sou feita de cacos. A cada quebra levantei, ergui minha cabeça e me recompus.  Recolhi cacos e pacientemente com a cola em mãos criei um novo mosaico. É inútil pensar que se quebrou é para jogar fora. É sustentável e ponderado criar o novo. Com cacos fiz mosaicos bonitos. Tenho uma coleção deles. Cada um com seu formato e história.

Cada caco que recriei me fez ser o que sou. Há quem veja amontado de cacos, eu vejo desenhos coloridos e histórias. Tenho mosaicos preferidos, também tenho mosaicos que não ficaram tão bonitos assim, mas todos eles fazem parte de mim.

Nunca deixei qualquer rachadura existir, intensa que só, preferia quebrar por inteiro e me recriar do que tentar em vão, combater rachaduras. Com rachadura a gente nunca sabe que horas vai quebrar, o melhor é evitar.

Foi me quebrando que aprendi sobre pedaços, meios e inteiros. No amor, o melhor deles: entregue-se de maneira verdadeira, mas nunca por inteiro. As verdades continuam sendo melhores do que o inteiro. E não é papo de egoísta, é papo de quem aprendeu sobre a engenharia da vida e seus pilares de sustentação.

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[ Imagem: reprodução ] 

Paredes podem ser quebradas, mas pilares de sustentação não. Aquilo que você acredita é seu pilar de sustentação. E é muito perigoso entregar qualquer alvará ou licença para o outro entrar e durante uma reforma, quebrar aquilo que te sustenta. Você deve ter dentro de si verdades intactas, que são só suas. E você tem total direito disso. Qualquer outra pessoa que tentar tirar tal verdade do seu coração está fora de qualquer jogo.

Entenda, existem muitas razões para mudar, mas existem aqueles pequenos fragmentos que são só nossos e de mais ninguém. Esses fragmentos são os pilares que te trouxeram até aqui. É a cola que vai unir os seus cacos e criar um novo mosaico. É o pilar de sustentação que vai estar ali, mesmo se paredes forem derrubadas.

Não somos felicidade plena e nem seremos tristeza absoluta. Somos histórias, mosaicos, cacos e cola. Somos aquilo que nos sustenta. Somos também verdades e gratidão. Gratidão de poder quebrar e se arrumar, quantas vezes forem necessárias.  Por que somos todos esperança.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

2 comentários em “Nunca por inteiro

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