NUNCA TÃO PERDIDA

Quem sou no meio de tantas mudanças? Quem sou no meio desta pandemia? Quais são os amores e os quereres que tinha tão certo? Será que eu realmente me amo?

0

Leia ouvindo: The Weeknd – Blinding Lights

Me dá um segundo para organizar minha cabeça. Me dá um segundo para organizar meu coração. Mais alguns outros vários tempos para organizar a minha alma.

A grande verdade é que hoje pareço ser expectadora da minha própria vida. É como se as horas fossem observadas apenas pela dança da temperatura e iluminação do sol. Como se a brisa do vento não tocasse meu corpo apesar de sentir a mudança do clima durante o passar das horas.

Assisto tudo com sendo outra pessoa, flutuando em minha própria rotina pensando em quando voltar a mim mesma. Me pergunto, quando isso vai acontecer, quando esse pause contínuo será destravado da vida.

Fotografia: cotidianodela.com.br

As fugas já não estão mais disponíveis. Em outras épocas tentaria esquecer tudo que se passa em local com música alta, aglomerações e muita bebida. Tenho uma missão mais bruta, me redescobrir e me amar no silêncio de minha própria existência.

E essa existência grita. Grita como se fosse um meme do John Travolta perdido sem saber o que fazer.

Reconquistar prazeres tem sido desafios, há tempos me perco em primeiros capítulos de livros. Abro e os fecho com a mesma voracidade e tenacidade que em outros tempos os consumia. O mesmo acontece com séries. Elas parecem não suprir a necessidade de capitar minha atenção.

Foco, foco, foco! Grita meu coração! E eu assisto flutuando o meu próprio dispersar em momentos perdidos onde sou uma mera expectadora.

Quem sou no meio de tantas mudanças? Quem sou no meio desta pandemia? Quais são os amores e os quereres que tinha tão certo? Será que eu realmente me amo?

Já pedi um segundo, mas talvez precise pelo menos mais uns dois. Eu quero uma volta ao normal de um algo que não existe mais.

Em cada segundo que exijo para tentar me reorganizar vou virando outra pessoa. Será que o mundo também caminha nesse meu mesmo passo.

Olho em volta e apenas assisto à aclamação de uma volta a normalidade que não existe mais.

Talvez o necessário seja mais que um segundo. Talvez esse vazio que sinto é por saber que nada será como antes, e, a cada dia que o tempo passa, assisto esse filme de mim mesma. Muito provavelmente, eu esteja recriando motivos para continuar a jornada do descobrimento do meu lugar em uma sociedade cada dia mais louca.

Luiza Pellicani
Últimos posts por Luiza Pellicani (exibir todos)

You might also like More from author

Leave A Reply

Your email address will not be published.