O acaso vai…

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Leia ouvindo: Racing Glaciers – South

Existe uma conexão muito louca entre as pessoas, algo que não pode ser visto a olho nu. Hoje pela manhã vi um rapaz no metrô muito parecido com um amigo querido. Há muito tempo eu não tinha qualquer contato com esse amigo, a vida nos afastou meio sem querer. Cheguei no trabalho, abri uma playlist qualquer e o som d’O Rappa invadiu os meus ouvidos. O engraçado é que esse mesmo amigo ama O Rappa, e sempre que podíamos, esse era o nosso assunto favorito.

Em questão de poucos minutos, o meu celular tocou. O número era desconhecido, atendi distraída e do outro lado, uma voz familiar perguntou se eu sabia quem estava falando. Era óbvio que sabia! O grande amigo que invadiu sem querer a minha lembrança durante toda a manhã, decidiu entrar em contato. Disse que sentiu saudades, que viu algo sem querer e lembrou de mim. Conversamos por algum tempo, resumimos o muito que vivemos enquanto estivemos distantes, pude notar que o carinho.

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[ Imagem: reprodução | Pinterest: Cotidiano Dela ]

Viva as pegadinhas do acaso!

As vezes, tenho a impressão de que temos vivido dias de completo distanciamento pessoal. Falamos mais com os nossos celulares que com pessoas, desejamos mais “boa noite” via mensagem de texto do que sussurrando ao pé do ouvido. Somos mais online, que olho no olho. Mas com o destino, esse trapaceiro, não tem disso. Não importa a hora, o lugar, se o cabelo está num dia bom, se estamos atrasados pra reunião importante, se vai chover…

Quem tem que vir, meus caros, simplesmente vem! Seja um amigo querido, como o que cismou em invadir minhas lembranças, ou então o amor da vida. A cura pra dor, em forma de abraço. O sorriso da criança no metrô que apaga o dia difícil. A mensagem da mãe preocupada, depois de um susto. A certeza de ter, muito além de um lar pra voltar, mas um bom caminho traçado até aqui. O universo conspirando a favor de gente que não conspira contra ninguém.

Então, entendemos que ainda que o mundo evolua tecnologicamente, são as relações humanas que salvam os nossos dias. Tem um acaso, bem danado, jogando a favor da vida real e nos mostrando a todo instante que, se ele quiser, não tem celular fora de área no mundo capaz de deter as suas forças. Sigo gritando aos quatro cantos que é preciso batalhar e muito pelo que queremos, sem esperar que os dias melhores caiam em nossos colos ou batam em nossas portas, assim, meio sem querer. Mas sabe como é, né? Já sabiamente diziam os Titãs: o acaso, meus amigos, vai sim nos proteger enquanto a gente andar assim, meio conectado demais, e muito distraído!

Mayra Peretto

Uma mulher de cabeça e coração sempre cheios! Capricorniana da gema, produtora de eventos por profissão e escritora pra vida. Apaixonada pelo 'hoje', escreve sobre o que pulsa nas veias e escorre pelos olhos. Seus dias são feitos de poesias, boas músicas e muita luta!"
Mayra Peretto

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