O PODER DA PRESENÇA

Qual foi a última vez que você esteve presente de verdade?

Leia ouvindo:  Phoebe Bridgers – Garden Song 

Faz algum tempo que busco por pedaços meus em anotações antigas, recortes e bilhetes guardados na caixa de recordações. Visito os primeiros textos publicados, anos atrás, e vez ou outra rolo o perfil do instagram até o final para relembrar como tudo começou.

Busco nessas pequenas, e significativas lembranças, aquilo que perdi nas mudanças de cidade, apartamentos e vida. Voltar a escrever aqui me trouxe a sensação de abrir uma caixa guardada a muito tempo, cheia de pó e boas lembranças.

Em tempos tão sombrios, não me atentei aos detalhes. A escrita sempre foi meu refúgio por anos a fio, voltar para ela, mesmo que aos poucos, me mostrou o quanto posso estar presente através de palavras e linhas, por mim e para mim. Mesmo que ninguém me leia, ou lendo, ache um conteúdo de merda, ou ainda que se inspire e passe adiante.

Presença é fazer por nós e não pelos outros.

imagem: cotidiano dela

Quanto mais o tempo passa – e como passa, percebo que deixo para trás a aprovação alheia, o número de likes e outras métricas que só reforçam aquilo que “tenho que” ser, e não aquilo que eu realmente quero ser.

Já boicotei a escrita por relações amorosas, já me boicotei também. Já tive medo de ser “cancelada” por ser mal interpretada, por não ser meu lugar de fala, por ser inadequada, por querer agradar demais e até mesmo por perder seguidores, como se meu trabalho e vida pessoal fossem pautados nisso.

Eu deixei de ser presença em um lugar que sempre foi meu, por achar que não era boa suficiente. Eu ouvi de quem deveria me apoiar que eu escrevia em um tom pessoal demais, emocional demais, que mais parecia um diário de indiretas, quando na verdade, eu trazia em forma de textos, frases e reflexões, assuntos que iam muito além da minha vida pessoal.

Até outro dia eu tentava juntar justificativas para aliviar a minha própria anulação. Precisei visitar minhas sombras para encontrar clareza. Precisei de ausência para criar presença. Precisei voltar no tempo para entender em qual momento da vida, decidi guardar aquela caixa de recordações.

Em plena reflexão, a presença foi ressignificada: é aquela tirada de pó diária. A prioridade que os olhos não perdem de vista. É a entrega. É fazer bem feito. É estar, de verdade, em cada escolha. Um re-começo um tanto clichê, e tá tudo bem. A vida é cheia deles.

Presença é a felicidade de voltar para aqueles lugares bons de estar.

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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