O sentido…

Leia ouvindo: Parra for Cuva ft. Anna Naklab – Wicked Games

Você já se perguntou o sentido disso tudo? Eu já me perguntei. Qual era o sentido? No bem da verdade, quando me perguntava sobre o sentido da vida, estava querendo dar uma direção, um caminho, uma orientação para a minha existência. Se para fazer sentido, era preciso sentir, passei então a me questionar sobre o sentir. O que me fazia sentir felicidade? Sentir medo? Sentir alegria? Sentir paixão? É engraçado como nunca havia pensado nisso. Sempre me orgulhei de ter uma capacidade analítica apurada, mas não a usava para avaliar a minha vida. Aliás, a auto observação foi o primeiro passo para a auto correção.

Na tentativa de encontrar uma resposta, novas perguntas foram descobertas. Por que estava ansioso? Por que não me sentia feliz? O que estava procurando? Que busca implacável é essa, por algo tão subjetivo e enigmático. Qual era o sentido disso tudo? O sentido da minha vida… Foi preciso então, fazer uma regressão e contextualizar esses meus anseios, nesse ecossistema ao qual faço parte. Era preciso compreender como cheguei nesse ponto. A conclusão, até que foi bem lógica.

Durante muito tempo se fomentou uma economia do ter. Uma boa vida era mensurada por aquilo que poderíamos adquirir. Ter um carro. Ter uma casa. Ter dinheiro. Ter uma família. Ter, ter e ter. A globalização alimentou exponencialmente a nossa gana por ter. Ter coisas, que antes mal sabíamos da sua existência, tampouco da sua valia, mas ao ver outras pessoas tendo, logo, precisávamos ter também. Afinal, se tem um mal do qual sofremos é a comparação.

Para conseguir ter mais coisas, foi preciso fazer mais coisas. Fazer horas extras. Fazer novos investimentos. Para ter uma boa aposentadoria, era preciso fazer uma grande poupança. E o fazer passou a ser a chave para o ter. E tudo seguiu, de forma automatizada até pouco tempo atrás. A proposta era simples: Quanto mais eu fazia, mais eu tinha. Se essa era a lógica que funcionava, por que a vida continuava sem sentido?

8221

[ Imagem: reprodução ] 

Eu estava mais perto do que imaginava da resposta, na verdade, durante todo esse processo eu a carregava comigo. Em mim. No meu âmago. E em uma repetição de obviedade, veio um sentimento de clareza. De certeza. De libertação. O início dessa nova era ficou marcada por essa revelação: Aquilo que eu tenho, aquilo que eu faço, não necessariamente representa aquilo que sou. E se não está alinhado com o meu ser, qual o sentido?

Como posso me engajar com algo que não acredito? Como lutar por algo que não está de acordo com os meus valores? Como desfrutar de uma conquista, se não me sinto merecedor dela? Como ter uma rotina leve, equilibrada e prazerosa se o que eu faço não representa o que eu sou? Não estou querendo aqui tirar a importância do ter e do fazer, trata-se apenas de uma reorganização do fluxo. O ter, é sempre e somente, uma consequência do ser. Em algum momento a lógica se inverteu e não raro ainda ouço afirmações do tipo, “Quando eu tiver dinheiro, então serei feliz.” ou “Quando eu tiver minha casa, meu carro, meu diploma, então serei feliz”. E, ao conquistarem isso, muitas vezes de forma penosa, continuam infelizes.

Quanto mais eu me conheço, mais eu me observo, mais próximo fico do meu ser e a partir disso, quase como mágica, as coisas novamente fazem sentido. A ordem é simples: é preciso SER para ter. Lembre-se: Ser, fazer e ter. Nunca ao contrário.

Dessa forma, acredito que a única maneira de dar sentido para a nossa vida, enquanto direção, é nos permitirmos ser quem somos. Saiba que não é fácil e que uma vez iniciada a busca pelo seu EU, ao dar ouvidos aos teus anseios, ao teu ser, jamais conseguirás voltar atrás. Saiba também que essa perseguição é um processo com início, meio, mas sem fim. É eterna, mas vale a pena. Friedrich Nietsche profetizou o retorno da era do ser, ao eternizar a célebre frase “Torna-te quem tu és”.

Compartilho com vocês uma oração, cuja autoria desconheço, que verbalizo mentalmente para mim mesmo sempre que se faz necessário. Quase como um mantra:

“Nada a fazer. Ninguém a convencer. Nada a justificar. Ninguém a seduzir. Apenas SER!”

Eu não saberia dizer aqui qual o sentido da vida de vocês, mas espero de verdade, e de coração, que o sentido seja sempre para a FRENTE e guiado pelo SER!

Namastê!

Últimos posts por admin (exibir todos)

admin

5 comentários em “O sentido…

  1. Acompanho esse blog que descobri no instagram. Sempre que estou desanimada venho aqui e leio algo. Mas esse post caiu como luva hoje porque passei o dia me questionando sobre isso…obrigada. Já faz parte do meu cotidiano uma olhadinha aqui para começar ou terminar o dia.

  2. Que texto inspirador! Traduziu perfeitamente os anseios que me dominaram no último ano.A maioria de nós tem se perdido em meio às exigências desse nada admirável mundo novo…voltemos ao minimalismo, voltemos à nossa essência, voltemos à vida simples, leve, colorida, livre de amarras e das armadilhas do consumismo 🙂 Abraços

  3. Que texto fascinante!! Vou imprimir e colar na minha agenda para ler todas as vezes que me esquecer do “SER” Beijos!

  4. Demais os comentários de vocês gurias. É muito bom ver que existem pessoas conectadas com a gente, muito além do que podemos imaginar e compreender. Estamos juntos nessa “batalha” diária de apenas SER!
    Beijos pra vocês

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Voltar ao topo