O tempo da superação

Leia ouvindo: Tove Lo – Habits

É preciso muita coragem para encarar algumas realidades quando chega o desfecho de uma história.

Exigem que sejamos fortes demais o tempo todo, que não transpareçamos nossas emoções “para quem não merece”. Foi nessas que criamos uma cultura da necessidade de rápida superação, ou então estaremos fadados a olhares cortantemente julgadores. É como se fossemos morrer sozinhos se não nos apressássemos a tirar aquele alguém do lugar que havíamos colocado antes.

Quanta bobagem… Há uma dificuldade absurda de entender que dores pertencem a nós e somente nós, e que toda e qualquer consequência do sentimento de perda é degrau para a construção de sentimentos mais consistentes e sãos. Não estou falando sobre ser a favor de choros descontrolados e atitudes compulsivas, mas de viver dia após dia sem apressar passos que devem ser dados com calma e sabedoria.

[ Imagem: reprodução ] 

Amores sempre serão amores, não importa que a intensidade deles mude e alguns sempre signifiquem um pouco mais pra gente. Amar sempre será uma mistura de doação e recebimento, uma troca de sentimentos e expectativas que vem com planos de viagens, festas, futuro.

Rompimentos sempre serão, de alguma forma, doloridos. Abrir mão de um relacionamento é admitir que nem todos os esforços são eficazes e que algumas histórias de amor têm, sim, um final. Não que ele seja necessariamente triste, mas renunciar sempre será um ato drástico.

Superações sempre demandarão paciência, tranquilidade e tempo. Entender que certas rotinas não existem mais é esquisito. Todas as articulações do nosso corpo se adaptaram àqueles costumes e àquela presença, e reeduca-lo a viver por si só é um trabalho diário.

Algum entendedor do assunto já explicou bem: a dor é inevitável; o sofrimento é opcional. Não é uma questão de gastar pranto, mas de aprendizagem e aceitação do ciclo do relógio.

Quando a hora chega, deixa-se partir. Não um coração: uma história já não mais bem-vinda. Bem ida.

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Bianca Carvalho
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Bianca Carvalho

Uma carioca branquela, bagunceira e desbocada. Uma mulher questionadora, inquieta e expansiva. Uma amante do mundo, dos cachorros e de pessoas apaixonadas pela vida.

8 comentários em “O tempo da superação

  1. Nao acredito em coincidência.. Precisava ler esse texto hoje, nesse exato momento! Parece que são palavras que saem da minha alma.. Um beijo enorme! <3

  2. Lindo o texto!!!
    Retrata exatamente o momento que tenho vivido agora. E sim, tem muita gente falando que eu já devia ter superado e colocado outro no lugar. E ninguém consegue entender que ainda não é a hora pra mim.
    Parabéns pelo texto. Sou mega fã do blog!
    Beijos

  3. É bem isso, Bia. Viver o luto é fundamental para se situar no novo momento e compreender as dificuldades que virão com a quebra da rotina. Mas somos altamente adaptáveis, só não curtimos as mudanças e o esforço que elas trazem. A zona de conforto é um problemão…

  4. “Quando a hora chega, deixa-se partir. Não um coração: uma história já não mais bem-vinda. Bem ida.”

    Precisava ler isso, obrigada por proporcionar isso. Parabens!

  5. Jesus, me arrepiei inteirinha!
    Lindo o texto, e super verdadeiro. Viver o rompimento de um relacionamento é extremamente difícil e vivi isso a pouquíssimo tempo. Relacionamento de muuuitos anos, que se acabou!
    Ainda hoje eu me cobro dos esforços e de todo o tempo e vontade que demandei pra ele, sem o retorno que eu queria. É bem, o que foi escrito: Quando a hora chega, deixa-se partir. Não um coração: uma história já não mais bem-vinda. Bem ida.

    Ahazou!

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