OS ESPORTES DELA | MEGAN RAPINOE

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Leia ouvindo: Queen – We are the champions

No dia 24 de junho escrevi o primeiro texto dessa coluna. O assunto? Futebol. A seleção feminina brasileira havia acabada de ser eliminada pela França da Copa do Mundo. De lá pra cá, muita bola rolou e quem disputou uma final de tirar o fôlego foi Holanda e Estados Unidos.

Para mim, o resultado pouco importava. Eram atletas jogando a final que mudou a história do futebol feminino. As duas seleções trouxeram para campo jogadoras que vinham fazendo história, antes e durante a Copa. Assim como disse no primeiro texto, repito: Não se engane, é muito mais do que futebol.

Megan Rapinoe, anota esse nome e comece segui-lá no Instagram agora (@mrapinoe)! Pois bem, Rapinoe além de atleta, é uma ativista pelas minorias. Além da bandeira LGBTQ+, Rapinoe é feminista e luta pela igualdade de gênero. Obviamente que tais bandeiras acabam causando incomodo para alguns, isso inclui o Presidente Trump. Presidente este, que disse publicamente que se Rapinoe estava se recusando ir até a Casa Branca receber homenagens pela seleção feminina, deveria primeiro ganhar a Copa.

Pois é.

Quantas e quantas vezes nós mulheres sofremos todo tipo de pressão e humilhação para provarmos para o patriarcado que nós podemos, sim! Que temos competência e habilidade para conquistarmos tudo aquilo que quisermos, sim! Quantas e quantas vezes desistimos dos nossos sonhos por conta desse mesmo patriarcado? Falta de oportunidade? Provações? Brigas? Todas nós, mulheres, já passamos por situações que deixaram nossa auto estima no limbo. Já duvidaram da nossa palavra, das nossas ações, da nossa voz. Já abafaram demais a nossa voz. Já abusaram do nosso corpo e da nossa verdade. Já negaram nossos direitos. E ainda tem gente que acha que o barulho está indo longe de mais. Calma, só vai melhorar. Quer dizer, para a sociedade machista, piorar.

Se viver é um ato político, ser mulher é o ato político.

Rapinoe trouxe mais luz para sombra. É muito mais do que o futebol. É muito maior do que o esporte. É sobre uma sociedade podre, é sobre o machismo, é sobre a igualdade de gênero, é sobre preconceito, é sobre tudo que envolve nascer mulher no mundo.

O discurso feito por Rapinoe na homenagem que as jogadoras receberam na cidade de Nova York foi emocionante, vale ler cada linha!

“E aí, cidade de Nova York? Eu vejo todo mundo aqui na frente, mas vocês aí atrás também. Alô para geral aí atrás!

Isso é loucura. Absolutamente insano. Perdi todas as palavras… mas vou encontrá-las, não se preocupem. Ridículo. Primeiro de tudo, minhas companheiras de equipe. Vamos aplaudir, por favor. Todo mundo. Esse grupo é tão resiliente, tão duro, é engraçado, e é tão fod*. Nada pode abalar esse grupo, estamos de boa, estamos tomando um cházinho. Temos comemorações, temos cabelo roxo, cabelo rosa. Temos tatuagens, dreadlocks. Meninas brancas, meninas negras e tudo que há no meio! Meninas hétero, meninas gays.

Eu não poderia estar mais orgulhosa por ser co-capitã com a Carly (Lloid) e a Alex (Morgan). É uma honra absurda liderar o time no campo. Não existe outro lugar onde eu preferiria estar, nem na corrida presidencial. Estou ocupada, me perdoem.

Para a comissão técnica, o departamento médico, a galera do apoio, os massagistas, cinegrafistas, os cozinheiros… “Chef T, qual é a boa?” Para os seguranças, a galera da comunicação. Muitíssimo obrigada, vocês tornam nosso trabalho tão fácil. Não temos que nos preocupar com nada além daquilo que temos que fazer no campo de futebol. Obrigada por isso.

Obrigada à Federação. Carlos (Cordeiro, presidente), obrigada, você foi incrível nessa Copa do Mundo. Sei que você recebe algumas críticas quando está aqui, mas tem algumas músicas. Acho que isso é um sinal de carinho, né. Todo mundo recebe vaias, principalmente em uma posição de poder. Vou colocar o meu na reta aqui, vou apoiar o Carlos. Acho que ele está conosco, está no lado certo da coisa, vai fazer as coisas darem certo. Ele está provando, desde o primeiro dia conosco, que está mesmo com a gente. Ele esteve conosco em todos os dias da Copa do Mundo.

Não apenas estar lá, e isso significa muito para a gente. Mas para quem olha de fora, esse homem estava lá. Ele estava no túnel em todos os jogos, comemorando conosco em todos os jogos. Nós agradecemos isso, obrigada. Estamos ansiosas em manter esses pés no fogo.

Para o prefeito, (de Nova York, Bill) de Blasio, essa é a nossa segunda vez. Você e a sua linda esposa, obrigada por nos ter aqui. O governador Andrew Cuomo, é assim que pronuncia? Obrigada por nos ter aqui. À polícia, aos bombeiros, a todos que fizeram isso acontecer, obrigada. É impossível fazer isso sem o apoio de todos. Nós agradecemos muito a tudo que é preciso para fechar a maior e melhor cidade do mundo… para o maior e melhor time do mundo. Obrigada, isso significa o mundo para nós.

Acho que vou finalizar com o seguinte. Essa é a minha mensagem para todos vocês. Nós temos que ser melhores. Temos que amar mais e odiar menos. Ouvir mais e falar menos. Temos que saber que isso é responsabilidade de todo mundo. Todo mundo mesmo, todo mundo que está aqui e que não está aqui, ou que não quer estar aqui. Que concorda e que não concorda.

A responsabilidade de fazer esse mundo um lugar melhor é nossa. Acho que esse time faz um trabalho incrível em levar isso nos nossos ombros. Nós entendemos que na posição que estamos, e a plataforma que temos… sim, nós jogamos esportes, nós jogamos futebol, somos atletas mulheres. Mas somos muito mais que isso.

Vocês são mais que isso. Vocês são mais que fãs. Vocês são mais que pessoas que apenas torcem para times esportivos. Vocês são mais que alguém que só liga a TV de quatro em quatro anos. Vocês são as pessoas que andam nessas ruas todos os dias. Vocês interagem com a comunidade todo santo dia.

Como vocês tornam a comunidade melhor? Como tornam melhores as pessoas ao seu redor? Sua família? Seus melhores amigos? As 10 pessoas mais próximas a você? As 20? As 100 pessoas mais próximas a você. É responsabilidade de cada pessoa. Tivemos muitas discussões nos últimos anos. Eu fui uma vítima disso, fui uma autora disso. Na briga com a Federação… desculpa por algumas das coisas que eu disse. Não todas. Mas é hora de nos juntarmos.

Essa conversa já tomou o próximo passo. Temos que colaborar, e precisamos de todos. Essa é a responsabilidade que passo para todos vocês. Façam o que puderem. Façam o que tiverem que fazer. Pise fora de si mesmo. Seja mais, seja melhor, seja maior do que você jamais foi. Se esse time é alguma representação do que você pode ser, quando você fizer isso, tome isso como um exemplo. Esse grupo é incrível. Nós levamos tantas coisas nos ombros para estar aqui hoje, para comemorar com vocês aqui e hoje.

E fizemos isso com um sorriso no rosto. Façam o mesmo por nós, por favor, eu peço. Cidade de Nova York, vocês são os melhores!”

via: ESPNW Brasil

Não é só aplaudir essa mulher de pé, é se inspirar para fazer a diferença. Vale lembrar que não vale aplaudir Rapinoe e chamar a outra mulher de oferecida só por que ela está usando biquíni nas fotos do instagram. Também não vale fazer postagens sobre o futebol feminino se na empresa que você é gestor tem desigualdade salarial entre homens e mulheres e você não faz nada sobre isso.

Não é sobre futebol, é sobre uma causa muito maior. Por favor, não fode o rolê!

Rapinoe, continua. Continua que a gente tá aqui, se inspirando diariamente na atleta e mulher que você é.

Imagem: reprodução

Obrigada por tanto!

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.
Juliana Manzato

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