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Leia ouvindo: Up – Copacabana Club

Era 8 am e eu já via os raios de sol da manhã entrando pela janela. A movimentação em casa já tinha começado fazia tempo, logo, pulava da cama e corria atrás da minha avó em busca do meu leite com grosélia. Logo depois, eu corria para brincar com o Rex, meu fiel escudeiro e amigo de quatro patas. Não demorava muito e chegavam meus vizinhos, logo a turma estava pronta para explorar o cafezal que ficava em frente de casa.

Ah, as minhas primeiras expedições de verão…

O meu sol de verão tinha sabor de sorvete do seu Chico, do chá mate gelado, de água da piscina, suco de romã, jambo colhido direto do pé, carambola azeda, coxinha e coca-cola do bar do clube, e das doces lembranças de uma das épocas mais felizes da minha vida.

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[ Imagem: reprodução / Pinterest: Cotidiano Dela ]

Aquela época que eu tinha folêgo pra pular “bomba” no meio da piscina, ir até o fundo e voltar. E ainda repetir o movimento quantas vezes fosse preciso, a grande recompensa vinha no final do dia, aquele sono eu começava às 20h e se estendia até o dia seguinte.

Depois de uns bons anos eu descobri o amor. Os namoradinhos de praia, aqueles que a gente constroi castelos e aprende a andar de shake. E depois de alguns verões se encontrando a gente acha que vai ser pra sempre, claro que até ele beijar a vizinha do condomínio na sua frente durante o lual, e você descobrir que o pra sempre, sempre acaba. Prazer, você acabou de ter a sua primeira desilusão amorosa!

As melhores histórias de vida que tenho aconteceram no verão, no calor de 40 graus, no clube, praia, piscina, nos banhos de mangueira ou aquela outra piscina, de plástico, que ficava montada na calçada de casa durante dias.

Depois de um tempo, percebo que quanto mais o tempo passa, menos eu vivo. Não sou mais corajosa como naquela época, não vivo mais amores de verão, não pulo mais de pedras, não tomo mais sorvete com tanta frequência, Itamambuca – apesar de muito amada – ficou longe, não encontro mais com a galera do clube ou os meus amigos, não emagreço mais nas férias, não tomo sol com tanta frequência, continuo tendo desilusões amorosas com frequência e vez ou outra tomo fôlego pra pular bomba.

Algumas coisas não mudam nunca! Continuo tomando bons caldos, amo ainda mais o mar e o verão. Continuo não querendo o chão e vivendo com emoção, o chá mate da minha avó continua incrível, mas parei com a coxinha e coca-cola.

Que a gente se lembre sempre daquele verão que deixou saudades e das coisas boas e simples da vida. Aquelas que dinheiro nenhum compra. Aquelas que quando a gente lembra, morre de saudade.

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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