PARA LER EM JANEIRO DE 2021

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Leia ouvindo: Caetano Veloso – Oração ao tempo

Se fosse alguns anos atrás, provavelmente você leria um texto recheado de “que o novo ano traga”. Muito provavelmente porque eu ainda projetava nos anos algo que estava dentro de mim e eu não sabia, ou na verdade, até sabia, mas não conseguia lidar muito bem com a informação.

Não sei dizer se foi a maturidade dos anos ou à disposição – e dedicação em autoconhecimento, mas muito foi ressignificado. O ano novo está nesse balaio.

Prefiro escrever cartas para o futuro, uma brincadeira gostosa de não se perder de quem a gente é e ainda oferecer ao futuro algumas boas lições aprendidas no passado. O intuito é não esquecer tudo aquilo que aquece o coração e alimenta a alma.

Fotografia: Juliana Manzato

Não é o Réveillon, não é o dia 31, não é janeiro, não são os astros, é você e só você. É a sua capacidade em ser cada vez mais forte e mais conectada com a sua verdade. É não esquecer de onde viemos e entregar ao futuro o seu melhor, criando em cada segundo uma realidade melhor e consequentemente sendo uma pessoa melhor.

No ano passado, na minha carta aberta à 2020 escrevi sobre ouvir nossa voz interior, sobre ser loba e deixar vir o lado selvagem, surpreendente. Em 2021, o texto principal não será inédito, mas o adendo sim.

A loba selvagem e surpreendente com o passar dos anos fica ainda mais forte e experiente. Seu instinto fuça não só a terra, mas os sentidos. O passar dos anos traz experiências únicas, entre elas o fato de negar tudo aquilo que se torna peso para seus instintos. A loba continua alerta, mas busca na matilha a leveza de ser aquilo que é. O verdadeiro sentido da parceria, a troca. As conquistas, os filhotes, os momentos de solidão, o verão, a primavera, o outono, o inverno, os dias, mais um ano.

Na natureza selvagem não existe ano, mês, dia ou data, é instinto. E instinto é ver, ouvir, brincar, sentir, entregar, confiar e viver, todos os dias da melhor maneira possível.

Na natureza selvagem é ano novo o tempo todo. Tudo é troca, tudo é instinto, tudo é cíclico, tudo é dividido. Tudo é vida.

Não é o ano novo, é você e seu instinto. Corra, loba, corra. Brinque loba, brinque. Viva, loba, viva.

Juliana Manzato

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