Paradoxos nossos

Leia ouvindo:  The Ashley Hundred | Cold Weather Heart

Vodka a noite, chá verde de manhã.  Tapioca de manhã, chocolate de noite. Ela até assiste o cinema cult, mas a-m-a de paixão as comédias românticas com um roteiro não tão bom assim. Ela tem a mesa de trabalho organizada, mas a casa é bagunçada. Nos dias daquele bom dia mais bem humorado é na verdade, um dia não tão bom assim. É independente até o chuveiro pifar e a luz da sala queimar.

Ela é daquelas que adoraria acordar animada para a aula funcional, mas não perde a mania de colocar no modo soneca. O que custa esses 5 minutos a mais? Um dia atrasado, amiga. Ela também adora fazer dieta, emagrecer, receber elogios e logo depois se  jogar em todas as porcarias existentes na face da terra – e consequentemente engordar tudo de novo. A dieta de engorda começa na sexta-feira, na hora do jantar e termina no domingo de pizza. Na segunda é suco verde, cenoura e água.

Ela também diz que não pode gastar, mas tudo vira necessidade máxima em época de liquidação. Todo mês aparece com lingerie nova e promete combinar conjuntinho, mas na hora da correria e do atraso, a calcinha é amarela e o sutiã, pink. Organização é seu forte, até a aquela luzinha da reserva acender no painel do carro. Promete para si mesma que o Happy Hour com as amigas é semanal, mas aparece a cada dois meses. A hidratação capilar é mensal, mais vira semestral. E essa vida corrida, gente?

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[ Imagem: reprodução ] 

Já jurou de pé junto que não iria se entregar para o primeira cara que faz uma gentileza, mas logo no primeiro encontro se ele puxa a cadeira, já cria expectativa para os próximos encontros. Ela também jura que não vai mais fuçar nas redes sociais dele, em vão, na primeira oportunidade está lá, contando os likes e vendo os comentários como uma psicopata – que toda mulher tem um pouquinho vai?!

Ela compra livros para deixar empilhados, bem ali na cabeceira na cama. Resistiu aos Rivotril até a segunda noite de insônia. Descobriu na Ioga a tranquilidade, até entrar no carro e sair xingando meio mundo no transito. Ela diz amar o status de solteira, até o próximo pretendente. Ela acredita no amor, nas desistiu do ultimo namorado porque ele não sabia cozinhar. A beleza acaba, a fome não, né?

Ela faz e acontece. Ela pode não saber exatamente o que quer, mas tem certeza do que não quer – e isso já é um grande passo. Ela não leva desaforo para casa. Se é para falar não existe freio na língua. Ansiosa que só, precisa ocupar o dia para chegar exausta em casa e não ter a menor vontade de pensar muito na vida. Por que na real, talvez seja esse o seu maior paradoxo: ela que relaxar e aproveitar, mas pensa demais para viver.

Como tantas, ela é só mais uma mulher com contradições próprias e necessidades únicas. E quer saber? Não existe mal nenhum nisso, a beleza está no ser. E a única certeza que tenho é essa: ela é, tudo aquilo que gostaria ser. Com ajustes e reparos evidentes, claro, mas nada como uma ser uma mulher dona de si.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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