Pedro e Bia

1

por Aninha Ruiz

-Calor intenso! Essa era a desculpa de Pedro para justificar a insônia que vinha sentindo mas, no fundo ele sabia muito bem, a causa disso tudo era muito mais simples e muito mais complexa que o clima, era a falta que sentia de Beatriz… Sim, a falta de sua adorável Bia estava fazendo estragos em sua mente.
Sentado à cabeceira de sua cama, pela terceira noite seguida, após se emaranhar entre os lençóis, tacar longe suas almofadas e pensar por horas a fio, decidiu o que deveria fazer. Na realidade, desde o início sabia que a única solução para seus devaneios seria saciar aquele ardente desejo. Como uma criança que saboreia o mais suculento doce da vitrine, iria finalmente ceder a seus anseios e procurar Bia, não poderia esperar mais.
Lembrou-se mais uma vez das palavras sussurradas por Bia em seu ouvido a última vez que estiveram juntos: “Quando desejar minha companhia, abra essa caixinha e faça o que seus sentidos mandarem!” E enquanto falava, depositou em seu bolso uma pequena caixinha vermelha, que estava entre seus dedos nesse momento. Pedro sabia que aquele era o momento certo para abrí-la. Qual não foi sua surpresa ao encontrar uma espuma preenchendo toda a extensão da caixinha… sem entender, arrancou-a de lá, partindo-a ao meio e deixando um pequeno objeto cair.
Sim, Bia era realmente tão louca quanto peculiar e doce, talvez por isso o encantasse tanto. Aquilo era a chave da porta principal de seu apartamento!
Sem titubear, vestiu a calça jeans que estava fora do armário, uma camisa e antes que pudesse ter tempo de abotoar seus botões passou a mão na chave do carro e em sua carteira, enfiou a pequenina chave, juntamente com a caixinha em seu bolso apressadamente, calçou os sapatos que estavam próximos a porta enquanto olhava seu relógio que marcava 02:47 da madrugada, apertou o botão do elevador freneticamente, vezes seguidas, como que tentando fazer com que chegasse mais rápido.
Já no carro, pensava em como seus instintos comandavam seu corpo, como o desejo por aquela mortal era intenso! Como ele a desejava com todas as suas forças, em todas as suas entranhas…
O caminho ele sabia até de olhos fechados, aquele apartamento era um de seus endereços preferidos em toda a cidade. Em poucos lugares ele se sentia tão à vontade quanto próximo àquela mulher.
Estacionou e com apertões indiscretos no interfone acordou o porteiro que dormia desajeitadamente, debruçado em papéis e controles. Antes mesmo que dissesse alguma coisa, colocou sua mão no bolso e retirou sua carteira entregando seus documentos, o homem abriu o portão e deixou-o entrar, dizendo para que subisse sem fazer barulho. Pedro seguiu em direção ao encontro de Bia com a excitação do encontro pulsando compulsivamente em suas veias.
Entrou respirando fundo, para sentir aquele doce aroma no ar, seu cheiro era irresistível!
A organização sempre foi característica de Bia, o sofá parecia que nunca havia sido provado, as almofadas estavam simetricamente arrumadas e tudo numa limpeza impecável. O cômodo que era dividido entre sala de jantar e sala de visitas era grande e bem iluminado pela luz do luar, que assistia sem nenhum pudor o desenrolar de sua aventura.
Encontrou a porta de seu quarto entreaberta, sua pulsação e respiração foram a mil ao vê-la prostada tão serena. Ficou observando-a durante longos minutos, apenas sentindo seu cheiro inebriar seu ser e entorpecer seus instintos.
O lençol era de um azul quase branco e curiosamente, mas não coincidentemente combinavam com a cor das paredes. Ela estava coberta somente até alguns centímetros acima da cintura, denunciando uma blusinha preta, de alça, bastante insinuadora e muito discreta ao mesmo tempo. Seus longos e rubros cabelos estavam mal presos e alguns fios maravilhosamente rebeldes em forma de mecha, pausavam sobre sua face. Aproximou-se lentamente, ajoelhou diante de seu rosto e pousou seus dedos suavemente entre seus cabelos, afagou-os levemente. Até que levou um susto e saltou para trás quando Bia abriu seus olhos de maneira atrevida e exclamou sorridente “-Você acha mesmo que eu continuaria a dormir serenamente com a sua presença?” E sorriu um sorriso que só ela possui.
Pedro ficou sem jeito e sorriu também. Bia sentou-se na cama dando lugar para ele,perguntando o motivo pelo qual ele resolverá lhe visitar aquela hora. Antes de dizer qualquer palavra, Pedro deitou em seus braços e disse que precisava dela para voltar a dormir, que seu desejo o deixava acordado há noites seguidas e que por isso, não estava conseguindo pensar em outra coisa.
Bia sorriu com desejo no semblante, jogou-o na cama, arrancou sua camisa com avidez e deitou sobre seu corpo, deixando-o perceber que estava apenas de blusinha e uma pequena calcinha também preta, discreta e grandemente sedutora, deu-lhe um longo e ardente beijo e sussurrou enquanto afagava seus cachos: “Sabia que eu adoro ser desejada? Isso me excita!”. Ao dizer isso, escorregou suas pernas por seu corpo prendeu-o na cama e começou a mordê-lo levemente deixando-o fora de si. Sentiu seus sinais que excitação por entre suas pernas e demonstrando seus desejos sob o aposento mal iluminado. “Não era o que você queria? Sou toda sua, faça o que quiser!”
Pedro a partir dali era somente instinto e desejo. Nada mais que isso. Nada menos que isso. Quem visse aquela cena, provavelmente pensaria ser uma dança milimétricamente ensaiada ou ainda, uma cena repassada diversas vezes até atingir a perfeição, mas para eles, era a pura satisfação de seus desejos mais impuros.
Por fim, a exaustão tomou conta de seus corpos saciados, algumas horas depois. O relógio mostrava que já passava das sete há muitos minutos. A Lua havia dado lugar a um brilhante e intenso Sol. Tinham começado muito bem aquele feriado, que tinha tudo para ser pacato. Pedro deitou sobre o corpo de sua querida companheira, e finalmente, adormeceu…

Últimos posts por admin (exibir todos)

You might also like More from author

1 Comment

  1. Bianca says

    Texto maravilhoso, narrativa extremamente envolvente.
    Deu vontade de ser a Bia, confesso. Ai que vontade de ter um Pedro…

Leave A Reply

Your email address will not be published.