Perdida, logo achada

Leia ouvindo: John Mayer – Good love is on the way

É normal. Acontece comigo, deve acontecer com você também. A gente se perde de si mesma e reza, escreve cartas para a parte que se perdeu, chora e se lamenta, perde as esperanças. Mas eis que um dia a gente se acha. Muitas vezes nem percebe. Várias coisas passam a fazer sentido e a gente simplesmente segue o fluxo. Vez ou outra até sorri, mas do dia pra noite para de orar.

Detesto injustiças, e preciso que algumas verdades sejam assumidas: acho que me achei. Por incrível que pareça, várias das coisas que pensei que estariam fazendo parte da minha versão mais completa não chegaram a se concretizar. Livramento? Gosto de acreditar que sim. Creio numa divindade e numa energia que transcendem nossa existência física e tenho certeza que fazem seus trabalhos para que o universo só nos conceda o que nos faz bem, de verdade.

Se a minha vida é perfeita? Tá longe. Mas ela é totalmente suficiente. E, acima de tudo, feliz. Sabe aquela coisa do “não tenho tudo que quero, mas tenho tudo que preciso”? É verdade, mesmo. E você deveria pensar assim também. Dinheiro pode vir, mas vai também. Namorados podem trazer felicidade, mas vários deles trazem problemas. Bens materiais causam satisfação imediata, mas se esgotam no longo prazo. Posso falar o que eu acho que a gente precisa mesmo? De amor. Seja ele do tipo que for. Amor de amigo, amor de cachorro, amor pelo ofício, pela família. Pode ser amor por um hobby, por um esporte, por que não? É isso que move a gente.

[Imagem: reprodução]
[Imagem: reprodução]

Eu amo viver, com todos os percalços que fazem parte dessa arte. Em que outro plano poderia, eu, mergulhar no mar? Em qual outro cenário eu sentiria o coração bater forte ao ganhar um abraço de quem eu gosto? Só por aqui mesmo eu vou poder cantar alto dentro do carro a minha música preferida que tocou do nada no rádio, cometer o pecado da gula devorando uma pizza depois de correr 5 km, morrer de vergonha ao contar um causo pra uma amiga e descobrir, euforicamente, que ela passou pela mesmíssima coisa. Os pequenos prazeres que me causam grandíssimas satisfações.

Só vivendo eu vou poder rir, até minha barriga doer. E, ainda que no dia seguinte eu possa chorar porque alguém deixou esse plano e me largou com o coração em pedaços pela sua ausência, só vivendo que eu vou poder sentir. O coração não para de pulsar, mas de vez em quando perde o ritmo. Acho que me achei porque, finalmente, sinto ele bater cadenciado.

Bianca Carvalho
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Bianca Carvalho

Uma carioca branquela, bagunceira e desbocada. Uma mulher questionadora, inquieta e expansiva. Uma amante do mundo, dos cachorros e de pessoas apaixonadas pela vida.

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