Peter Pan, eu te entendo

Leia ouvindo: Ray Lamontagne – All The Wild Horses

Peter, eu te entendo. Juro que te entendo. São quase 27 anos com a sensação de não ter saído do auge dos meus 20 e morta de saudade dos meus 5 anos. Crescer dói. Ver o tempo passar também. Não que eu não tenha aproveitado ou me divertido, pelo contrário, vivi intensamente todas as fases, mas chegar ao mundo adulto não é nem de perto o que eu imaginava.

Ainda quero a proteção dos meus pais em dias ruins. Tem dias que quero inventar uma dor de barriga para não ter que levantar da cama e encarar a lista de compromissos. Não queria perder o hábito da soneca no meio tarde, mas geralmente nesse horário estou em reunião. Queria continuar brincando com as minhas bonecas, construir castelos no banco de areia que ficava no quintal de casa, me refugiar na casa da árvore quando eu estava triste, queria pedalar com todas as minhas forças na ciclovia perto de casa e sentir o frio na barriga. Queria sentir novamente as famosas borboletas no estômago nas vésperas de viagem e me divertir dentro de um avião, que hoje eu morro de medo e entro dopada.

Queria voltar a ser princesa encantada lá no castelo de casa e não a gata borralheira de um pequeno apartamento qualquer. No Castelo encantado eu não tinha que ir ao supermercado, nem comprar peças para o encanador, não queimava arroz, não manchava roupa na máquina de lavar, não pegava trânsito para ir ao trabalho, não tinha uma lista de pendências, nem tinha dificuldade em fazer baliza. Não precisava agradar quem eu não queria, não precisava trabalhar em finais de semana, não tinha bronzeado de escritório, nem precisava ler sobre política. Lavar louça era diversão, ajudar minha mãe a fazer bolo uma aventura, nos ombros do meu pai tinha a melhor vista do mundo e a felicidade era comer o feijão feito no dia da minha avó. Tinha o leite com groselha antes da soneca, o X-Tudo, o Glub-Glub, Castelo Ra-tim-bum e os Contos de Fadas.

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[ Imagem: reprodução ] 

Sabe Peter, a vida adulta é boa, acho que o problema é quando perdemos de vista a eterna criança que fica dentro de nós. Nos acostumamos com as exigências da sociedade, precisamos saber o que está acontecendo na política e preencher todo dia uma lista de tarefas que nem sempre é aquilo que gostamos realmente de fazer. Apesar de te entender, não vou te enganar, sou feliz com os meus quase 27, fui feliz aos 20, 15, 10 e 5 anos. Aprendi um bocado de coisas, me joguei em cada fase, tive bons exemplos ao meu redor, me orgulho de inúmeras coisas, me arrependo de outras tantas. E se eu pudesse te dar um conselho é justamente esse: cresça.

Saia para o mundo lá fora, enfrente seus piores medos, tente não se importar tanto com a idade, não deixe sua saúde de lado, saiba a hora de parar e seguir em frente. Erre quantas vezes forem necessárias, fique feliz com cada acerto. Faça coisas que você gosta, não deixe de lado suas origens. Você não precisa se esconder atrás do “nunca”, você precisa viver o sempre. E viver significa crescer, na maioria das vezes.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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