Pílulas de tempo

Pois é, esse foi o assunto do último feriado. Sem aquelas clássicas perguntas do tipo “vai viajar?”, “pra onde?” etc., o papo foi esse com uma amiga de vinte e poucos anos, desesperada com o fim do seu primeiro namoro.

Queria poder falar outra coisa, mas não pude: “não há NADA, nesse momento, que você possa fazer para esquecer o que está sentindo. Não adianta eu te falar pra ir pra balada beber uma garrafa de vodca; não adianta eu te falar pra comprar metade do shopping, não adianta você ir pra academia e malhar até destruir o corpo: apenas o TEMPO vai poder curar isso.”
Foi aí que ouvi a resposta que obviamente não surpreendeu: “eu queria então dormir e acordar só daqui 06 meses”.
Pois é, infelizmente isso não existe, como também não existem “pílulas de tempo”. Imaginem se existissem: tomar e a dor passar como mágica!

As coisas não são assim. Pode parecer o mais previsível clichê, mas é a pura verdade: nada acontece por acaso. Se isso está acontecendo, é porque você tem que viver essa experiência – simples assim.
Vai doer muito, uma dor física, um vazio terrível, que fará você tentar procurar sentido nas coisas sem conseguir ver muita graça em nada.

Você vai achar que nunca mais vai encontrar alguém que te faça sentir o que sente, que te faça acreditar num relacionamento etc. Pois é, mas não há nada muito objetivo a se fazer, infelizmente.
Agora eu pergunto: será mesmo “infelizmente”? Será que isso, na verdade, não é algo que vem pra fortalecer e pra fazer com que, no futuro, você tenha muito mais ferramentas para lidar com situações bem piores do que essa?
Difícil acreditar quando está se passando por isso; mas quando a tormenta termina, você percebe que serviu, e muito, para fortalecimento.

Foi aí que veio o conselho; ou melhor, a “dica”: se você deixou claro os seus sentimentos, NÃO PROCURE MAIS.

“Mas é difícil!” Sim, é difícil, mas o que na vida é fácil? Não procure mais, e ponto!

Saibam sempre de uma coisa meninas: nós homens temos orgulho, claro. No entanto, se queremos vocês de volta, nós VAMOS ATRÁS. Nós sabemos o caminho de volta, podem apostar nisso.Portanto, não procure mais mesmo!
Agora um detalhe importante: não façam isso por estratégia, senão de nada adiantará (segunda e mais importante dica).

Não procurar mais deve servir para “ligar o tempo”.
“Ligar o tempo?” Mas o que isso quer dizer?
“Ligar o tempo” quer dizer iniciar a fase de sofrimento que vai, aos poucos, te desligar do que passou e te preparar para novas experiências.

Fique ciente que podem acontecer várias coisas: pode ser que, rapidamente ou não, você esqueça, olhe pra trás e ache até engraçado ter sofrido tanto por alguém já mais sem qualquer importância; pode ser também que você, ao contrário, nunca mais esqueça por completo.

“Nossa, pode ser que eu nunca mais esqueça por completo??” Sim, PODE – c’est la vie.
O que você tem que ter em mente é que não tem qualquer controle da situação, e que você deve sim usar a razão e deixar que o tempo haja, porque se você continuar correndo atrás, a única coisa que acontecerá é que você vai demorar ainda mais pra “ligar o tempo”, vai tornar a situação ainda mais penosa e vai conseguir fazer com que o grau de admiração que o cidadão tinha por você atinja índices mais negativos do que os das bolsas na crise de 2008!

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Essas palavras são duras? São. Preferia estar falando coisas melhores? Preferia.  Mas não dá pra fugir da realidade.

Portanto: ligue o tempo e cuide de você. A ferida está aberta, não mexa mais; fique quietinha e deixe cicatrizar. Confie, vai cicatrizar.

Pode ir sim ao shopping, à academia: mas com equilíbrio. Faça coisas que vão te dar a sensação e a certeza de que está cuidando de você, melhorando, valorizando.

Aproxime-se de pessoas que te fazem bem. Se você fez a besteira enorme de se afastar dos amigos, busque reaproximação; os amigos de verdade vão entender.

Essa é a “fórmula mágica”.

Agindo assim, você pode ter certeza que o tempo, que você achou que seria longo, não vai ser nem metade do esperado!

Essa sim é a verdadeira “pílula do tempo”.

*O Texto é do Fernando Pompeu, advogado de profissão, amigo de coração e que vez ou outra aparece por aqui escrevendo seus devaneios e aprendizados com as mulheres. 

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

Um comentário em “Pílulas de tempo

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