Por onde for quero ser seu par

Leia ouvindo: Michael Bublé – Save The Last Dance For Me

Nós saímos de casa naquela noite sem hora para voltar. Tínhamos como ordem, um para o outro, nos esbaldarmos e nos embriagarmos, como naqueles tempos de solteiros, jovens e desimpedidos. Só que, dessa vez, juntos.

Eu vesti o meu vestido mais fatal, aquele pretinho curto e colado, que não saía do cabide desde que era convocada pelas amigas para uma noite daquelas. Combinei com um dos saltos mais desconfortáveis do mundo, que eu possuía dentro do armário, mas que eu sempre achei que valia o esforço porque ele me torneava panturrilhas e coxas de uma forma que me fazia aceitar a dor do aperto no dedinho.

Ele me olhou como se fosse a primeira vez que nossos caminhos se cruzavam e eu lembrei direitinho da primeira vez que nossos olhos se encontraram. Não parava de ser mágico. Eu entrei no carro, ele me roubou um beijo de arrepiar os cabelos da nuca, e nós seguimos para cumprir a missão.

Relacionamentos têm aquela tendência a se encaminhar para uma rotina que pode ser perigosamente enfadonha. Eu, que nunca gostei do comum, prometi a ele, no dia em que me propôs amor eterno, que seria eterna também a nossa aventura. Determinada que sou, era bastante óbvio que eu não me permitiria falhar na promessa.

[ Imagem: reprodução / Pinterest Cotidiano Dela ]
Eu ainda me perguntava como era possível, em um mundo tão cheio de gente especial, ele ter escolhido a minha mão para segurar. A resposta vinha nos abraços e beijos que ele me dava enquanto dançávamos todos os ritmos que o DJ tocava. Não tinha por que estarmos em outros lugares, era nítido que fomos constituídos para estar exatamente ali, no coração – e nos braços – um do outro.

Essa coisa de se permitir curtir o amor e, ao mesmo tempo, se entregar à loucura, era realmente tão deliciosa como já tinham me alertado. Aquela noite, assim como tantas outras que já tínhamos aproveitado até ali, foi mais uma das inúmeras provas de que a vida realmente tinha me escolhido para ser feliz. E que ele também tinha me escolhido para a gente se fazer feliz.

Foram diversas as taças de champagne e, totalmente proporcional, a quantidade de sorrisos e gargalhadas. Ele ainda me dava frios na barriga e fazia cócegas no meu coração. Naquela noite, apesar de termos o mundo à nossa volta, pra mim tudo girava em torno de nós dois.

Acordei na manhã seguinte com aquela sensação de esquecimento familiar de outras épocas, com a cabeça levemente oca e, ao mesmo tempo, dolorida, mas com um sentimento de coração preenchido. Era ele, respirando ali do lado, trazendo de volta à memória a felicidade de escolher, até o fim, o mesmo par para todas as minhas danças.

Bianca Carvalho
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Bianca Carvalho

Uma carioca branquela, bagunceira e desbocada. Uma mulher questionadora, inquieta e expansiva. Uma amante do mundo, dos cachorros e de pessoas apaixonadas pela vida.

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