Qual é o sabor do seu sol?

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Era 8 am e eu já via os raios de sol da manhã. A movimentação em casa já tinha começado fazia tempo, logo, pulava da cama e corria atrás da minha avó, em busca do meu leite com grosélia. Logo depois, eu corria para brincar com o rex, meu fiel escudeiro e amigo de quatro patas. Não demorava muito e chegavam meus vizinhos e logo a turma estava pronta para explorar o cafezal que ficava em frente de casa. Ah, as minhas primeiras expedições de verão…

O meu sol de verão tinha sabor de sorvete do seu Chico, do chá mate gelado da minha avó, da água da piscina, do suco de romã, do jambo colhido direto do pé, da carambola azeda demais, da coxinha e coca-cola do bar do clube, de uma das épocas mais felizes da minha vida. Aquela época que eu tinha folêgo pra pular “bomba” no meio da piscina, ir até o fundo e voltar. Repetia o movimento quantas vezes fosse preciso e a recompensa era aquele sono, logo as 20h até o dia seguinte.

O meu verão tinha a cia dos meus primos, subir na árvore, tomar banho de rio, encontrar cachoeiras, dar banho nos porquinhos no sitio do meu avó, tomar raspadinha, comer um montão. Tinha rolê de bike com a minha prima e uns 20 dias de praia, com direito à milho verde, mais sorvete e caldos, muito caldos do mar. Como eu era destemida, enfrentava as ondas com a minha pequena prancha de body bord, que ia mar à dentro com a ajuda dos meus pés de pato. Só de lembrar dos caldos que tomei, era para ter pânico de mar, mas amo. Me encontrava naquela paz, não tinha essa frescura que tenho hoje de precisar ver meu pé dentro mar ou medo de tubarão. Me jogava lá da Pedra no Rio Itamambuca sem saber se era fundo ou não, o mesmo acontecia nas escunas de Paraty. Não precisava de chão, eu queria emoção.

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Também tinha amor, aqueles namoradinhos de praia que a gente constroi castelos e aprende a andar de shake, e depois de alguns verões se encontrando, a gente acha que vai ser pra sempre, até que ele beija a vizinha do condomínio na sua frente durante o lual e você tem a sua primeira desilusão amorosa que acaba no outro dia, que ele vai embora, tem uma baita sol lá fora e o mar inteirinho para você. Amor de verão era amor bom, era uma vez por ano só vivendo o lado legal do outro.

As melhores histórias de vida que tenho, aconteceram no verão, no calor de 40 graus, no clube, praia, piscina, nos banhos de mangueira ou daquela piscina de plástico que ficava montada na calçada de casa durante dias. Depois de um tempo, percebo que quanto mais o tempo passa, menos eu vivo. Não sou mais corajosa como naquela época, não vivo mais amores de verão, não pulo mais de pedras, não tomo mais sorvete com tanta frequência, Itamambuca – apesar de muito amada – ficou longe, não encontro mais com a galera do clube ou os meus amigos, não emagreço mais nas férias,  enfim, a vida toma um rumo que a gente nem sempre gostaria, mas continua sendo boa. Algumas coisas não mudam, continuo tomando caldos, amando o mar e o verão. Continuo não querendo o chão e vivendo com emoção, o chá mate da minha avó continua incrível e as raspadinhas também.

Que a gente se lembre sempre daquele verão que deixou saudades e das coisas boas e simples da vida. Aquelas que dinheiro nenhum compra, que a gente vive um pouco, todo santo dia. Amém.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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