QUAL É O SIGNIFICADO DO LIKE?

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Leia ouvindo: Dhani Harrison – All about waiting (feat Camila Grey)

Será mesmo que tem um significado? Ou será que somos nós – e a nossa referência de vida – que damos um significado para ele? Se você tá achando que eu tenho uma resposta, vamos lá: também não tenho! O que tenho é um ponto de vista – que vale lembrar, carrega minhas referências até aqui.

O digital proporcionou trocas – em todos os sentidos, e a verdade é que a gente não está muito preparado para isso. Não em uma sociedade patriarcal como nossa que entrega a liberdade, mas dorme com o conservadorismo. Não são só os homens que são machistas, é o sistema como um todo, ou seja, mulheres também.

Partindo dessa pontinha do iceberg, percebemos que as trocas – sempre elas – proporcionam evoluções dentro de um sistema já falido, que está entrando em um colapso ainda maior. Despertamos e entendemos que não dá mais para viver como vivemos até aqui.

É tóxico, desigual, desumano e insustentável.

Grafite do artista Bansksy em uma rua de Vancouver, Canada.

Faço parte de uma geração que viu na troca a possibilidade de cura – com terapia, por exemplo. Mas o que a minha geração não contava é que no digital, a troca pode ser tóxica e não há block que resolva, e nem likes que alimentem. Tudo é silenciado em perfis falsos e stalkeadas diárias. (Quem nunca?).

Dois ou três cliques e, a vida pessoal de uma pessoa pode desmoronar. Não que os likes tenham importância, mas o contexto tóxico que ela pode criar, importam. E importam tanto que são debatidos em mais de uma sessão de terapia.

E pensar que tudo começou em um simples like, não é mesmo?

Apesar de ser questão interna de cada um (já que a interpretação depende muito das nossas referências de mundo, volto a dizer), penso que a falta de consciência – e presença, dificulta mesmo a troca real e sadia – seja nos likes diários ou no bate papo de boteco.

Já parou para pensar porque você curte o que você curte?

Por muitas vezes nem a legenda você lê, em outras é só para mostrar presença. Falam tanto em conteúdo que já não me assusta mais essa história de “exposição de vida” ser vendida como conteúdo.

De novo, consciência e presença.

Já parou para pensar que a régua que você mede a sua vida pode não ser sua, mas sim a @ ao lado?

Já parou para pensar que o seu “like” pode ser muito mais do que um “like” para quem recebeu?

Não acho que precisamos viver em função da interpretação alheia, pelo contrário, acho que precisamos ser realmente mais conscientes e presentes em cada ação que fazemos neste mundo. Isso inclui a troca, os likes, o dia a dia e aquilo que realmente é verdade para nós.

“É só um like”, depende para quem. Talvez você tenha se esquecido, mas empatia não é só se colocar no lugar do outro. É se colocar no lugar do outro sem carregar suas referências de vida.

E talvez seja uma pequena, mas necessária reflexão…

Quantos likes você já deu sentado no banco de um parque enquanto seu filho brincava sozinho no balanço? Quantos likes você deu enquanto seu filho terminava de jantar e brincava no tablet?

Quantos likes você já deu na foto – ou no tweet – da “novinha” enquanto a sua mulher, aquela real, sabe? Tomava uma taça de vinho sozinha enquanto preparava o jantar. Quantos likes você já deu naquele bonitão que assumiu um namoro recente e deixou de curtir as suas fotos? Quantos likes você trocou para alimentar seu ego no digital e não observou tudo que você tinha na vida real?

Quantos likes você só deu para marcar presença? Quantos comentários você já fez querendo atingir uma outra pessoa? Quantas vezes o seu like foi sincero, e não automático na rede social?

Quantas vezes você deu like desejando ter um corpo/vida/carro/familia de quem fez a postagem? Quantas vezes o seu “like” te sugeriu (oi, algoritmo) coisas que você não queria consumir, pessoas que você não fazia ideia existir, ranços que você jamais imaginava ter, notícias que você nem queria ler?

Consciência e presença. De novo. E sempre. E para sempre.

O like virou tão banal que banalizou o nosso dia a dia. Ironicamente, o like se tornou tão importante que, ultimamente, estamos perdendo o que realmente importa justamente por causa dele.

Onde tudo é ponto de vista, esse é o meu.

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.
Juliana Manzato

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