Quando começo gostar de você

– Eu preciso ir.

Não, definitivamente você não precisa ir! Não tenho compromissos agora de manhã – e provavelmente você também não, é domingo. Você sempre precisa ir, para voltar um outro dia quem sabe.

Você sempre vai, justamente quando eu começo a gostar de você. Parece que você vê quando a minha pupila dilatar ou sente o cheiro do sentimento que tenho guardado aqui no peito. Você não olha para trás, simplesmente vai.

Parece que o nosso ciclo nunca se encerra. Não estamos juntos, nunca estivemos na verdade, mas o nosso junto é nosso e eu aprendi a viver o hoje, independente do amanhã. O grande problema foi você transformar o meu hoje feliz no para sempre. Mesmo você indo embora vez sim, e outras também, queria ter a sensação do pra sempre com você.  Sentir aquela história dos filmes românticos em vida. Você me vendo dormir, beijos de bom dia, risadas entre lençois, surpresas de uma manhã seguinte bonita. Mas o quê mais me aproxima dessa realidade montada em filmes são os seus bilhetes: “Foi bom ficar com você de novo”, “Você é incrível. Bom dia!”, “Vou sentir saudades”.  Sinceramente não sei porque você vai embora quando você sabe que eu quero que fique.

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{ Imagem reprodução }

Você voltou outras vezes, mas eu tinha alguém. Mas algo sempre me prendeu à você. Fiquei sozinha, você apareceu, a pupila dilatou e você novamente não acordou do meu lado. Quando eu começo a gostar de você, você vai embora. Porque? Você também já teve outro alguém, ainda tem aquela nossa foto de 3 anos atrás com você, sua mãe tem a foto do acampamento de verão na sala e toda vez que me encontra me trata como sua namorada, aquela da infância que ficou eternizada.

Quando a gente se achou e se perdeu? Quando você fica? Nenhum de nós conseguiu achar o botão da volta, ou do foda-se.

Já percebeu que quanto mais a gente se perde na vida, mais a gente se acha na gente? Que seja num único final de semana ou nos beijos de final de dia. Você não mora mais por aqui, mas toda vez que aparece, o pouco fica, o abrigo tem luz. Parece migalhas, mas eu acho que de repente pode ser amor.

A gente sempre volta para aquele porto que parece mais seguro, aquela pessoa que segura a onda, toca a alma e aquece o coração. Aquele de  colo confortável e o moleton mais quente. Aquela pessoa que nunca seguiu regras com você, sempre fez o que tinha vontade e abriu o coração, mesmo sabendo que podia demorar anos para rever novamente.

De repente é amor e a gente não viu. Perdemos a mão e o coração no virar da esquina. Tivemos outros alguéns, mas nunca quem. Aquele “quem” que faz o nosso coração bater um pouco mais forte madrugada a dentro. Aquele quem que mesmo longe fica perto. Aquele quem que some, mas aparece, independente do passar dos anos e a sensação é de nunca ter ido. De repente é amor e a gente deixou escapar. De repente é a gente, de coração colado.

De repente, é de repente. Pode ser hoje, amanhã ou no mês que vem. O amor vai, volta, revira, trava, mas se é amor mesmo, volta.

Assinatura Ju - 2013

 

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

Um comentário em “Quando começo gostar de você

  1. Juliana,

    agora você me pegou de jeito, esse texto é perfeito pra mim.
    Estou sem palavras, não consigo nem comentar direito pois estou aos prantos.

    beijos

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