Quase trinta

Leia ouvindo: JOHNNYSWIM: Diamonds

Viver, que coisa louca! Morrer, todos nós vamos. Dá medo? Dá sim. Tem dias que um pouco menos, tem épocas que um pouco mais. O antídoto? Viver. Que coisa louca! Estranho é que logo eu, rainha absoluta das crises, nunca tive medo de envelhecer. Talvez porque ainda esteja nova demais. Graças a Deus! Mas, não, número de idade não me bota medo algum.

Daqui a 365 dias e mais alguns nessa conta eu faço os “temidos” trinta anos. Trintão, três décadas, quase 11 mil dias. Lembro-me de ouvir desde muito cedo a expressão “crise dos 30” e toda a carga negativa que derrubam em cima dessa idade e, claro, em algum momento eu provavelmente tive medo de fazer os 30.

Eu amo fazer aniversário. Considero a data do meu nascimento o marco de um novo ciclo, outras chances de viver, de fazer diferente – muito mais, até, que a simples virada do ano. Tanta gente partindo antes de conhecer o mundo, de abandonar um emprego por pura loucura, de fazer um filho ou, simploriamente, plantar uma árvore, e você aí com medo de idade?

mulher
[ Imagem: reprodução ]

É lógico que 10 anos atrás eu imaginava a vida diferente. Pode ser que meus vislumbres tivessem um casamento envolvido, um ou dois molequinhos pra eu cuidar, uma vida financeira mais estável, um cantinho só meu. Nada disso aconteceu e, pasmem, brado com louvor que me tornei uma mulher muito feliz, talvez do jeito que tinha que ser.

Não se engane, eu não quero dizer que tenho tudo que quero. Mas, sim, eu tenho tudo que preciso. É clichê, pode rir. Mas acho que até isso faz parte dos (quase) 30: passar a enxergar a vida dali pra frente, não mais pra trás. Ser grata por tudo que já foi colhido e esperar com paciência o que já foi plantado, mas ainda não foi recolhido. Continuar fazendo planos, sempre, mas com muito mais sabedoria para prepara-los. E agradecer, acima de tudo, pela saúde. Isso parece conversa de velho, e eu talvez já seja aquela boa e velha balzaquiana antes mesmo de “balzacar”.

Algumas das minhas fieis escudeiras já trintaram, outras estão prestes a trintar. Olho para todas elas com orgulho: enxergo mulheres extremamente interessantes, fortes, com objetivos alcançados e vários por alcançar. Tem mulher que é solteira, tem mulher que vai casar. Uma já é mãe, a outra largou tudo e mudou de cidade. Tem mulher que virou piloto de avião e mulher que desistiu da inércia e deu um passo imenso em busca de viver. Talvez trintar seja um momento mágico mesmo, de total revolução interior. Muitas coisas estabilizam dentro da mente, várias outras bobagens perdem lugar. A gente finalmente entende que, realmente, não temos tempo a perder.

Rumo aos 30, aos 40, aos 100. Menos medo, mais frio na barriga. Tem muita vida pela frente.

2015_Bia

Bianca Carvalho
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Bianca Carvalho

Uma carioca branquela, bagunceira e desbocada. Uma mulher questionadora, inquieta e expansiva. Uma amante do mundo, dos cachorros e de pessoas apaixonadas pela vida.

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