#Quase30 | Mas você também pode escolher enfrentá-los

Leia ouvindo: Fink – Looking to Closely 

Se muito já foi dito sobre medo, falaremos então sobre o lado bom de enfrentá-lo. Não vá esperando por algo fácil, já que medo e coragem andam juntos, e além de tudo são feitos de extremos.

Todos os seus maiores medos quando enfrentados, serão parte de suas maiores conquistas. Absolutamente tudo vem com o lado positivo e negativo, a ação e reação, a transformação dos nossos pontos fracos em fortalezas, tão essenciais para o aprendizado.

Você pode ter medo de amar de novo, mas não pode não sentir quando esse sentimento vier à tona. Você pode ter medo de ser mãe, mas não pode ter dúvidas que se escolher ser uma, será a melhor do mundo. Você pode ter medo de se casar, mas não pode evitar que uma relação se torne séria com o tempo e convivência. Você pode e deve ter medo, mas você pode e deve tentar superar todos eles.

Digo isso com a certeza de ser a pessoa mais medrosa do mundo, mas também a mais corajosa. Primeiro por assumir meus medos, segundo pela coragem de enfrentá-los todos os dias. Uma luta intensa e diária que é só minha e de mais ninguém.

Hoje mesmo tive que enfrentar o maior dos meus medos: voar. O simples fato de pensar num avião já me amolece as pernas. É nessa hora que me vejo completamente nua e crua. Não tenho controle sobre absolutamente nada, sou passageira dentro de uma caixinha com asas. Uma fobia sem fim.

Mas a vista lá de cima…

No caminho para o check-in eu penso em desistir. Respiro fundo, vou. No caminho para o embarque penso em desistir de novo. Respiro fundo, dou um tempo e vou. Na porta da aeronave eu olho para trás, quero sair correndo. Respiro mais uma vez. Até chegar no meu assento eu me xinguei em pensamento umas mil vezes, só por ter entrado naquele avião. Em todas as vezes o meu coração vai miúdo e apertadinho. E o medo de ser a última vez?

Enfrento, eu preciso enfrentar. Já voei por trabalho, por amigos e por amor. O sentimento de não ter qualquer controle sobre aquele enorme objeto com asas é assustador. Na verdade, é um baita choque de realidade necessário. Você não tem controle sobre absolutamente nada, garota! – a não ser sobre si mesma.

Não é à toa que nessa hora o mais sincero “eu te amo” é dito. O orgulho tão presente, se faz ausente. A gente manda um “oi” para quem jamais puxa conversa pelo orgulho diário. Concordo até com o meu pai, quando ele diz que as nuvens são mais bonitas lá de cima. O abraço na chegada no aeroporto é apertado, uma folia sincera misturada a uma saudade insana. A gente aprende sobre medo, sobre incertezas, sobre autocontrole e sobre vida.

Lá em cima eu me sinto abraçada por Deus. Lá de cima eu vejo o quanto pequena sou e quanto maior posso ser no jeito de viver.

Se por um acaso eu tivesse deixado de voar todas às vezes que pensei em desistir, certamente eu não teria conhecido o Daniel e suas duas filhas lindas. Nem a Márcia, que estava fazendo uma conexão para Manaus e morta de saudade de casa. Não teria conhecido também o Rogério que estava exausto por que anda dormindo 4 horas por noite. O motivo? O filho recém-nascido, e o acúmulo de viagens à trabalho. Não teria conhecido a Fernanda, que namora a distância – ela em Salvador, o namorado em SP. Nem teria ouvido as histórias do Arnaldo, um recém-vovô super babão e conectado. O filho mora na Alemanha e ele no Brasil. E nem teria conhecido outras tantas pessoas que conheci compartilhando meu medo e alívio no “Graças à Deus, pousou!”. E nem valorizaria as minhas chegadas e partidas, o meu trabalho e a minha vida.

Ah, a decisão de enfrentar aqueles piores medos. Respira fundo e vai, menina!

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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