#QUASE30 | UM ELEGANTE OURIÇO

Leia ouvindo: Chet Faker – 1988

Existe um livro que você deve ler, se chama “A elegância do ouriço”, de Murriel Barbery. Dito isso, é fácil associar o título do meu texto ao nome do livro de Murriel.

“(..) A sra. Michel tem a elegância do ouriço: por fora, é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes.”

O trecho acima é sobre a Sra. Michel, uma das personagens do livro, mas tenho que dizer que poderia ser a definição de muitas mulheres. Me identifiquei com a narrativa, não pela elegância, mas como eu nunca havia pensado em como são os ouriços? Todas nós temos um pouco da Sra. Michel e outro tanto dos ouriços.

Perto dos 30 o ouriço parece ficar ainda mais evidente. Não que seja fácil assumir esse ouriço, mas até agora o mundo exigiu essa postura encantadoramente perigosa. Não se pode relaxar até aqui, as cobranças foram inúmeras, os machucados doloridos e a cicatriz ficou na casca, deixando-a ainda mais grossa.

Fotografia: Juliana Manzato

É natural criar uma fortaleza como abrigo, ainda mais num mundo onde as pessoas não entendem o que são gotas e o que é oceano. Num mundo tão estúpido a visão do ouriço nunca fez tanto sentido.

Cuidado na aproximação. É bonito me ver, mas é difícil me ter. Podem me julgar por isso, quem me fez assim foram vocês. É esse discurso a cada grito.

Aprendemos que o problema não são os outros, mas sim a nossa maneira em lidar com eles. É então que o ouriço se transforma no mais belo ser.  Acontece de dentro para fora, e quando acontece, percebe-se quem é gota, e quem é oceano.

É tão bonito quando essa imensidão acontece dentro da gente. Percebemos que a fortaleza perde força quando falamos no coletivo, nos abrimos, mudamos o nosso mundo e o de muita gente.

Somos aqueles pequenos ouriços no meio da diversidade dos corais e veja só, não é nada ruim ser assim.

Sempre vai ter alguém que vai nos olhar como ameaça, por motivos diversos, e sempre vai ter gente que vai querer olhar mais de perto, aconchegar-se com cuidado e perceber o fascínio de nos ter. A solidão lhe fará cia entre uma pessoa e outra, até porque é possível ser feliz sozinho. E rapidamente dá para emendar o coro sobre aquela outra solidão, a dois.

Nos assumindo ouriços, assumimos também a elegância de viver sobre tal personalidade. Nada mal ter também elegância daquele animal tal exótico e incrível.

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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