Quente? Sim. Frio? Talvez. Morno, nunca.

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Não sou desses que saem por aí dizendo que odeiam algo. Odiar é muito pesado, muito forte e dá uma sensação de finalização: Eu odeio. Ponto, é pra sempre. E pra sempre é muito tempo…

Mas se no campo metafórico eu puder usar a palavra “odiar”, eu diria que odeio o morno.

O morno é uma temperatura insossa. Se no frio tomamos um relaxante banho quente e no calor, um revigorante banho gelado, qual é a temperatura de se tomar um banho morno? Na entressafra do calor? Ou do frio.

O morno é uma indefinição por excelência, um eterno ficar e cima do muro, uma coisa que não é nem aqui, tampouco ali.

O morno é aquela coisa que só dá o gostinho… sabe aquele delicioso caldo verde português? Pois é, está morno. Mas imagine como seria se ele estivesse quentinho, aquecendo o inverno em uma deliciosa companhia… As coisas iam esquentar, né? Mas não, está morno.

O morno é broxante – na metáfora e na prática – afinal, quando as coisas estão esquentando, o cabra broxa! O morno é aquela coisa que não foi, mas também não veio, é algo que poderia ser delicioso, mas ficou no gostoso. O morno é aquele cara que não saiu do armário, tem uma vida frustrada e vive enchendo o saco dos outros.

Vamos combinar uma coisa? Não sejamos, pois, mornos. As duas coisas mais deliciosas são: o chá gelado e o chá quente. Entenderam?

Se formos trabalhar, vamos trabalhar pra arrebentar, vamos ser tratores, que tanto puxam quanto empurram. Se vamos amar, vamos amar mesmo, porra. Fique no “ficar” e tenha um bom dia na manhã seguinte, ou vamos amar demasiadamente, atabalhoadamente e desmesuradamente.

Faça amor ou faça sexo. Tenha preliminares de 2 horas ou dê apenas aquela pegada rápida na garagem do prédio. Fique massageando os pés, costas e pernas da sua deusa ou faça sexo tão violentamente que quebre o estrado da cama e acorde a vizinhança.

Tudo, menos ser morno.

Beijokas

Rubens

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8 Comments

  1. Beatriz says

    Adorei o último parágrafo, em especial.

  2. Gi Moura says

    Uhauha, sabe q nunca tinha parado p pensar nisso…eu tbem não gosto dessa coisa de morno não…
    Bom texto.

  3. Rubens Gualdieri says

    O ódio enquanto paixão – paixão, sentimento extremista – um desejo ardente de algo, é na sua essência o quente, o ardor, o movimento , a inconformidade, a não aceitação do status quo, enfim, definitivamente não é morno.
    Valeu demais Caio, Carioca e Bia.

  4. Beatriz says

    O Luiz TINHA que comentar a frase clássica dele, hahahaha Muito bom!

  5. Brolha says

    Cara, morno é falta de coragem… falta “cojones”

  6. @AninhaRuiz says

    Se o texto fosse somente do “Vamos combinar…” para baixo, já seria perfeito!

    Simplesmente demais!

    Tudo, menos o morno!

    Adorei Rubão!

    =)

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