Recado dado

Leia ouvindo: Oh Wonder – White Blood 

Encaixar é fundamental. Uma vida na outra. Um jeito no outro. Um corpo no outro. Bato nesta tecla porque para mim, para dar certo, tem que encaixar. Entre todos os encaixes amorosos, existe um que começa muito antes. Que desencadeia todos os outros. Começa quando um ainda não experimentou o outro. Quando tudo ainda é mistério. Um breu que a gente tateia.

Esse encaixe começa quando o carro para na frente da casa. Aquele silêncio que perturba e instiga. Começa quando a música acaba e o papo também. Aquele silêncio que cala e grita. Começa quando o filme e a pipoca estão na metade. Aquele silêncio de cinema que só pede uma coisa.

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[ Imagem: reprodução ] 

Esse encaixe começa no beijo. Não tem jeito. Para mim, é no beijo, no jeito do beijo, que a gente sente se encaixa ou não. E esse encaixe não significa para sempre. Significa que dá, que deu certo. Tem coisa melhor que beijo quando encaixa? Nem a melhor noite. O beijo, mais do que o sexo, expõe. Deixa tudo à mostra. Despe. É uma entrega e tanto.

E esse encaixe é físico mesmo. Quando o gesto gera uma resposta natural, inconsciente. Quando a dança é sintonia. Não há disritmia. Quando não é samba, é valsa. O beijo quando encaixa é bonito de se ver. E de se sentir. Nem sempre ele encaixa (ou desencaixa) igualmente para os envolvidos. Nem tudo é perfeito para um ou outro.

E ainda que um não dance a valsa, valem os passos. Vale a descoberta. Vale a interrupção do silêncio (ou a manutenção dele). Vale o toque. Vale o olho no olho,  a tentativa. Vale matar a vontade. Vale a troca. O beijo passa um recado. Cada um o recebe de um jeito. Bom mesmo é quando a mensagem é entendida da mesma forma, por ambas as partes.

Livia_2015

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