RESOLUÇÃO DA SEMANA | MUITO MAIOR

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Leia ouvindo: Rhye – Summer Days

Pensando nesse texto como pauta, listei algumas possibilidades, entre elas que existe uma grande chance de ser chamada de recalcada. Quando esse pensamento passou por aqui, eu ri. Foi-se o tempo em que a opinião alheia abria qualquer tipo de ferida por aqui, por isso o que era pauta se tornou esse texto, que confesso, começou de uma maneira bem mal educada. Desculpem o mal jeito.

São muitos relatos e desabafos. Assunto debatido em mesas de bar, em ligações com a Luiza, no vinho compartilhado com a Ju, no último encontro com a Isa. Por que? Qual é a explicação para tal fenômeno? Por que não houve um despertar? Seria o feminismo completamente distorcido ou o machismo enraizado na cultura?

Por que muitas mulheres ainda resumem o sucesso de uma vida em ter – e sustentar – uma relação amorosa?

Os argumentos que ouvi em todos os debates são inúmeros, alguns impublicáveis, afinal, muitas mulheres se ofenderiam, e bem, não é isso que eu quero. Se tenho um objetivo com esse conteúdo é justamente o de mostrar um novo ângulo.

Fotografia: Juliana Manzato

Eu já tive relações amorosas como bússola da minha vida. Para onde a relação ia, eu ia também. Isso incluía o fundo do poço, inúmeras vezes. Me dediquei muito a relações que só me trouxeram a frustração de namorar sozinha, e de ser uma “sortuda”, ironicamente claro (!), por pelo menos ter a figura de um namorado. Eu podia estar infeliz, abrindo mão das minhas vontades, da minha família, do meu trabalho e de algumas – incríveis – realizações pessoas, mas eu tinha um namorado.

Por que você quer ter uma relação? Esse foi o questionamento que surgiu ao final de um relacionamento completamente fadado ao fracasso e que eu bravamente decidi insistir. Mais uma vez eu tinha quebrado a cara. O término foi por uma mensagem de texto. Da lama à Flor de Lótus.

Esse término foi a benção. Foi o ponto de partida para um encontro que não teria qualquer fim. Foi o meu primeiro grande abraço. Foi quando eu decidi olhar para mim com mais carinho e entender por que, afinal, eu queria tanto uma relação.

Foi lindo viver o meu luto. Foi lindo viver minhas escolhas. Foi lindo ficar sozinha, e principalmente, foi lindo descobrir que eu não preciso de ninguém para me fazer feliz. Boas relações não te fazem mais ou menos feliz, a felicidade é compartilhada, transbordada.

2019. Dois mil e dezenove. Ainda recebo relatos, observo relações e acompanho conhecidos na saga de ser feliz com alguém que já não faz o menor sentido. A mulher não está mais feliz, mas continua no mesmo lugar. A mulher reclama, mas deixa tudo como está. A mulher quer colocar um ponto final, mas tem certeza absoluta que não vai conseguir se refazer sozinha. A mulher já não aguenta mais tantas coisas, mas ela continua, por que acredita que o “amor” tudo suporta. Ela continua por que eles construíram tanto juntos. Ela continua por que tem medo. Ela continua por que perdeu o seu senso de grandiosidade. Ela continua, até tomar um pé e se sentir rejeitada. Ela ainda continua, por que a rejeição no inicio precisa da aceitação, de quem deu o pé na bunda dela.

Ela continua. Continua até sentir os pés no fundo do poço. Ah, a fase da lama…

É nessa hora que temos a oportunidade de florescer e finalmente entender que realmente merece, e principalmente, por que investir em uma relação. Você desmistifica o amor, e percebe que o verdadeiro sentido não é se entregar ou completar o outro, mas é compartilhar. Quando dois inteiros se encontram, transborda. Amor é isso, transbordar.

Amor não é escolher ou ser escolhida, é encontrar no outro pontos de ligação e crescimento. É perceber que existe troca e parceria. É observar e perceber que não é necessário forçar a barra, inventar desculpas ou entrar no velho jogo de sedução. Tudo é tão fluido que a única coisa necessária a fazer é viver.

É preciso se abrir para o processo de cura. Não é um processo rápido e indolor, pelo contrário, é profundo, inquieto e espinhoso, mas é libertador. Entregue e confie. Abrace e desapegue. Da lama nasce a flor.

Não é um relacionamento amoroso que vai te fazer feliz. Todo excesso vem de uma falta. Não tenha medo de perder, você não sabe o que precisa ir para abrir espaço para o novo chegar e completar. Se completar, nesse caso.

Você é a melhor coisa que pode acontecer na sua própria vida. Não perca essa oportunidade. Mesmo.

Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.
Juliana Manzato

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