SABÁTICO | OS CAMINHOS QUE TE LEVAM…

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Leia ouvindo: Pink Floyd – Another brick in the wall, pt 2

Os caminhos que te levam até um Ano Sabático, geralmente, são caminhos tortuosos, cheios de questionamentos e feridas; afinal, quem joga tudo pro alto, quando o “tudo” te faz feliz? Quando seus questionamentos estão respondidos?

Vem aqui comigo, vamos caminhando pelos caminhos que me levaram até 01.01.18 – o início do meu Ano Sabático (se ele já acabou? Sim; então você já pode esperar pra saber até onde ele me trouxe).

Já te dei alguns spoilers, no primeiro texto, sobre quem sou eu, né? Mulher, cheia de dados, lutando contra o patriarcado (inclusive lutando para soltar as amarras em que ainda estou presa; não é muito fácil essa desconstrução, né? Diariamente…)

Vamos caminhar agora por um pedacinho da minha carreira profissional… Cuidado pra não se perder, no caminho; já te contei que ele é tortuoso; turbulento, cheio de questionamentos e feridas:

“Quem sou eu?” é a pergunta!

“Quem é essa tal de Marília?”, é a pergunta que você deve ter feito, quando apareci por aqui, pela primeira vez ou quando me encontrou no Instagram.

Fotografia: arquivo pessoal

Essa é a pergunta que eu mesma me fiz pouco tempo atrás: “Quem sou eu, o que estou fazendo aqui e onde vou chegar?” Você já se perguntou sobre isso ou será que só eu penso nessas coisas? Será que todo mundo se questiona sobre nossa existência? Bem, eu sim… Por dias, semanas, meses… Talvez por anos!

Já parou pra pensar em qual parte do caminho nos perdemos? O porquê de crianças serem tão gentis, generosas e alinhadas com suas convicções e, de repente, estamos no piloto automático executando tarefas que não fazem o menor sentido para a construção de um mundo onde queremos habitar?

Em que momento passamos a fazer parte de uma história contada por outros e paramos de escrever nossa própria história? Em que momento paramos de acreditar que podemos mudar o mundo? Em que parte do caminho trocamos os sonhos de sermos astronautas ou domadores de leões pelos escritórios?

Se vamos falar de carreira, vamos à parte prática primeiro. Tipo um currículo mesmo… Mais fácil! Meu nome e idade, você já sabe… Sou formada em Administração de Empresas e Agronegócios, pela UNESP, pós graduada em Marketing Organizacional, pela UNICAMP, bolsa de estudos para cursar Marketing, Comercialização e Distribuição de Serviços na Universidad de Santiago de Compostela, na Espanha. Aprovada em Programas de Talentos Nacionais em algumas das maiores empresas do Brasil, que buscam formar as pessoas que ocuparão os cargos de liderança do mundo corporativo do nosso país… Nossa; quanta formação… Opa! Já começo a me incomodar!

Mas, vamos voltar… Mulher padrão, estereótipo padrão, cabelos claros e lisos devidamente aprovados pelo padrão de beleza, pele e traços também… Sigo incomodada; mas encaixada! “Mulher tem que se dar ao respeito!”; me dou! “Mulher tem que ser magra”; faço dieta desde a infância! “Mulher não pode fazer mimimi!”; ufa, sigo encaixada… Incomodada, mas encaixada!”Mulher boa é essa aí que trabalha feito um homem… Nem parece mulher!”. Muita promoção, ascensão rápida… Ganho menos, claro, mas estou encaixada!

E quanto mais se encaixa, mais excessão vira. Estranha essa frase, né? Mas é assim que é! Quanto mais “alma de branco”, “nem parece que é” ou “tão boa quanto um homem”, maiores as chances de nos encaixarmos ao padrão e obtermos sucesso; não é não?

Então vamos recapitular: Branco: passei! Hétero: não importa, não sendo escandalosa tá tudo bem; guarda no armário! Homem: Ih; fraquejei! 
Ah… Tudo bem! Eu ganho menos mesmo… Licença Maternidade atrapalha, tira o foco, vocês sabem…

Não é machismo; o sócio quer lucro, são 6 meses e a mulher não volta mais com aquela pegada, né? Então, tudo bem, continuo ganhando menos e não tenho a ousadia de achar que estou no mesmo patamar de um homem…Ou tenho? Ai, meu Deus, estou começando a desencaixar…Ufa, não, não tanto… Dá pra aguentar; vamos lá! Vou mostrar que posso chegar lá! E sem mimimi, claro! Sou boa como um homem e homem não vitimiza!

Acho que estou desencaixada, não tenho certeza… Acho que não! O mundo é assim, pára de problematizar, se vitimizar! O mundo é assim e tá tudo bem pra todo mundo… Meritocracia! Meritocracia? Ai, meu Deus… Acho que não acredito mais nisso. Acredito? Acredito! Olha o Joaquim Barbosa… Ops; excessão! Tá… Olha aí, tivemos até presidente mulher; puts caiu… Tá, vou pensar! Desencaixada; não estou mais gostando de entrar em uma sala pra expor meus projetos/resultados para mais de 30 homens, brancos, heteros, classe média. Ou deveria estar orgulhosa? Cheguei lá! Lá onde?

Excessão só mostra que existe uma regra e não que o sol nasce pra todos… Opa, não tem negro aqui! Ai, meu Deus, estou desencaixada! O que eu faço agora?

Marília Archangelo

Apaixonada por viajar e pela natureza, trago na mala as experiências que me fazem ser quem eu sou e o entusiasmo, quase que um desassossego pelos olhares que ainda me transformarão em tudo o que eu vim para ser. Qual é o próximo destino?

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