Sagrada e Profana

Leia ouvindo: Ana Carolina e Seu Jorge – Carolina

“A noite foi daquelas, mas na manhã seguinte ela já está de pé às 7h – ainda que tenha levantado com o pé esquerdo, já que o direito não saiu da jaca. Ela segue assim mesmo rumo à aula da mais nova subcategoria de ioga que em três sessões vai fazê-la levitar por mais pesada que esteja sua consciência perdida entre o terceiro e o último drinque, naquela festa tout e le même Rio estava presente. (…) Sagrada de dia e profana à noite, ela vai do badauê ao fuzuê  na velocidade do som, seja do DJ ou do mantra. (…) De dia ela transcende na esteira, à noite transita na pista. Fervida e fervorosa, a badaueira busca equilíbrio espiritual sem abdicar da vida mundana de verdade.” Hermés Galvão no texto, Sagrada e Profana, para a VOGUE BRASIL, n.432, agosto de 2014. 

Sagrada e profana, li o incrível texto de Hermés Galvão e soltei um “puta que pariu” logo depois de ter terminado. Identificação imediata. Uma geração de “sagradas e profanas” que como bem diz: fervida e fervorosa, o equilíbrio espiritual sem abdicar da vida mundana e suas delícias. Sensacional, Hermés.

Somos sagradas e profanas na vida, mas tradicionais demais nos selfies. Uma geração de bonitinhas bem arrumadas que perde a linha logo após algumas doses de vodka. Talvez por ser difícil demais encarar a realidade e as cobranças da sociedade. Talvez por ser chato demais viver num padrão mulherzinha ditado por mães e avós mais tradicionais. Ter fé em Deus e ir para balada acontece comigo e deve acontecer com milhares. Não é pecado viver uma vida de equilíbrio. A vida é uma corda bamba com samba. É preciso muita concentração, mas se ganha no gingado.

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[ Imagem: reprodução ] 

Usar a jaca como pantufa e a dose como escape é tão natural quanto a luz do dia. Fazer isso não me distancia de crenças ou religiões, me faz um ser humano que precisa de diversão e menos padrão. Não é fácil viver num mundo tão 8 ou 80, que fala tanto em separar joio e trigo, o bem e o mal, quando na verdade é exatamente o que faz o equilíbrio, extremos.

Todos nós temos duas caras, dois pesos e duas medidas. Uma pena que a maioria ainda queira escolher lados e tomar partidos. O que faz o bonito é a mistura. Sejamos a “busca eterna pelo equilíbrio espiritual, sem abdicar da vida mundana de verdade”. Sejamos “uma coreografia que mistura duas partes de Carlota Portella diluídas em uma colher de Deborah Colker”. Sejamos de verdade, das jacas ao divino. Tudo ou nada.

Bravo, Hermés. Um texto polêmico para muitos, um tapa bem dado na cara de outros – tantos. Bravo!

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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