Seja legal

Leia ouvindo: Alabama Shakes – Don’t Wanna Fight

Estava parada em frente ao espelho escolhendo a roupa do dia quando perdi o foco da roupa e joguei um holofote em mim.

Fiquei ali por alguns minutos. Não me reconheci e nada era tão trágico como aquela situação. Desabei em lágrimas logo depois. O vazio tomou conta de mim, um abismo se formou embaixo dos meus pés. Não existe tristeza maior do que não se reconhecer e ver quão exigente estava sendo comigo mesma.

Exigência que beira algo pior do que assédio moral de chefe arrogante. Onde foi que eu errei comigo mesmo? Por que me tratar tão mal diante de inúmeras situações que pouco têm a ver comigo e muito têm a ver com os outros? Eu não estava sendo legal comigo. Aliás, tudo aquilo que eu tinha de mais exigente comigo respingava em todos à minha volta. Era exigência de todas as formas.

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[ Imagem: reprodução / Pinterest: cotidiano dela ]

Tudo que eu mais pedia em minha orações era leveza e sabedoria e tudo que eu menos tinha na vida eram essas duas coisas. O desabar em lágrimas veio junto com a consciência da autossabotagem. Eu sempre exigia mais porque achava que era merecedora, mas esqueci de olhar à minha volta e ver todos os degraus que já subi até aqui. Esqueci também de ver os pedidos de oração serem entregues no meu dia a dia. O tempo todo pessoas próximas estavam presentes de maneira leve e carregadas de sabedoria, como se o universo me mostrasse na prática como deveria ser. Pequenos milagres como esses acontecem todos os dias na nossa vida, mas por conta da autossabotagem não nos damos conta disso.

Sabe, precisamos urgentemente ser mais legal com a gente mesmo. Bens materiais fazem massagem ao ego, mas estar em paz consigo faz bem para a alma. Muito se fala da nossa geração – somos os egoístas, imediatistas e desapegados. Tudo nas devidas proporções para uma catástrofe! Deixamos que pessoas influenciem nossos sonhos, aliás, pegamos sonhos alheios na falta de próprios. Olhamos para o nosso próprio umbigo e não para os nossos propósitos. Queremos tudo para agora, mas esquecemos de construir nossos próprios alicerces. Invertemos valores e na maioria das vezes caímos num conservadorismo barato. O sucesso mudou e hoje mora na felicidade, mas sejamos sinceros, será que é realmente possível ser feliz se somos tão exigentes?

Será que não estamos buscando uma felicidade imediata em viagens internacionais, fotos bonitas de Instagram, festas, relacionamentos vazios, garrafas caras de vinho e brigadeiro gourmet? Será mesmo que estamos sendo legais com a gente mesmo comprando momentos? Será mesmo que com o nosso sucesso compramos todo o resto?

Será que finalmente mudamos o mais conhecido ditado popular, dinheiro compra a felicidade?

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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