Seja o que você quiser, filha!

Promo da Onça: Oficina do Estudante

Leia ouvindo: Mumford & Sons – Lover Of The Light

– Seja o que você quiser, filha!

A fala era de alívio, na minha cabeça inúmeras dúvidas. Aos 16 anos senti a pressão em escolher onde, no mercado de trabalho, eu iria me encaixar. Ter o apoio da minha família para ser médica ou jornalista, matemática ou dentista era acolhedor. O problema era pensar se a escolha seria para o resto da vida. E se eu não gostar? E se eu quiser parar no meio do caminho? E se eu não for feliz lá na frente?

Já não me bastavam as discordâncias dos hormônios, eu ainda precisava tomar decisões. Me lembro, agora com 27, como se fosse hoje. Minha primeira opção foi arquitetura e seus fantásticos desenhos. Aquilo me encantava. Meu pai duvidava, minha mãe apoiava. Entre apoio e dúvidas, desisti. Se tornar arquiteta seria ir além de desenhos.

Veio a época do teste vocacional, era humana demais para lidar com números. Fui para a escrita, ser jornalista seria uma opção legal. Haviam inúmeros jornalistas que eu admirava, já escrevia crônicas, já tinha ideia de um livro, um grande jornal, ser correspondente internacional talvez. Imaginação à solta, borboletas no estômago. Foi quando minha mãe me deu um livro sobre Washington Olivetto e sua W/Brasil. Um mundo fantástico me pegou, ser publicitária se tornou uma bela opção.

Seja quem vc quiser

[ Imagem: reprodução ] 

Entre as tantas conversas que aconteciam lá em casa, a mais importante foi com a minha mãe. “Seja o que você quiser, filha”. E ela me abraçou. E ainda emendou uma das frases que levo para minha vida: o importante é você colaborar com o mundo e não ir contra ele. E mais importante que isso, é você ser feliz.

No final das contas optei pela publicidade e descobri que de lúdico, essa profissão não tem nada. Entrei num mundo de negócios que eu jamais imaginei. Experimentei de tudo um pouco, trabalhei em áreas que não gostava, com gente que não gostava, com valores que não eram meus, para enfim, entendi que muito do mundo cor de rosa da faculdade não se aplicava ao dia a dia.

E apesar dos apesares, eu descobri que importante mesmo é escolher por uma profissão que te dá tesão. Pouco vai importar o número de horas trabalhadas, os desafios do caminho, algumas coisas erradas que precisam acontecer para todo o resto dar certo. Escolha aquilo que vai te levar para frente.

Escrevo o texto com aquele sentimento de gratidão dentro do peito. Tive a oportunidade de escolher aquilo que me faz feliz e realizada. Tive uma família me apoiando. Tive também a possibilidade de ter bons professores. E isso ninguém paga, rouba ou tira de mim.

Mais importante do que seguir em frente nos objetivos, é reconhecer aqueles que fizeram seu caminho mais bonito.

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Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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