Silenciando meus berros

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A minha vontade mesmo era gritar.
Gritar na sua cara, dizer que você é um idiota e que eu queria mesmo era que você sumisse.
Depois, aos prantos, gritar de novo. Dessa vez, de dor. A dor do ostracismo, o fastio de ter que te deixar para trás.
E passadas as lágrimas, mais uma vez, gritar. Que te quero e que não aceito essa condição de distância entre os nossos corações. Que você é um mané imperfeito, mas que eu estava disposta a me encaixar em você. Das formas mais metafóricas e literais possíveis.

Com tantos berros ensaiados e com o pulmão cheio de ar, fiz a mais burra das escolhas e optei por me calar. De todos os sentimentos que eu podia cultivar, eu colho agora os frutos da minha própria covardia.

Ainda dá tempo de gritar… Sempre dá.
Será que vale a pena?

De todas as coisas que eu gostaria de apagar na minha vida, o que eu mais desejava agora era que sumisse o medo. E somente ele. E do súbito desaparecimento dele surgisse você. E somente você.

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1 Comment

  1. lary says

    É uma dupla vontade que não se acaba, ao mesmo tempo que sinto raiva, sinto saudades…

    So queria que ele percebesse isso

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