Sobre caras interessantes

Leia ouvindo: Miami Horror ft. Sarah Chernoff – “Real Slow”

Onde estão os caras interessantes? Foi assim que terminei a minha conversa com um amigo depois de contar aquela famosa história, sabe? Onde o cara que parecia interessante se mostrou não tão interessante assim. Vez ou outra nadamos na lama, meus amigos.

Como era de se esperar, ele não soube me responder. Afinal, está cada vez mais difícil encontrar caras que são realmente interessantes. E isso não envolve valores materiais ou a boa vida que ele leva, envolve valores emocionais mesmo. Parece que a nossa geração esqueceu o bom senso em casa, guardou a boa educação na gaveta e saiu por ai abraçada com a sensação falsa de poder tudo.

Perdemos o limite para a festa open bar e para relacionamentos.

Não dosamos os goles ou o envolvimento, nos tornamos imediatistas demais para uma vida que precisa sim de cuidados. Desistimos fácil demais de gente que não preenche nosso formulário emocional, aliás, reformulando. Desistimos de gente que nem se quer deixamos preencher o nosso formulário emocional. É como um médico dar ao paciente um diagnóstico sem ao menos ter feito um mísero exame.

Tudo é feito no olho, sabe? Tipo bolo de vó. Já experimentou pedir a receita? Não existe medida certa, vai no olho e de tão experiente que ela é, dá certo na maioria das vezes, mas já viu a irritação quando sai errado? Pois bem.

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[ Imagem: reprodução | Pinterest: Cotidiano Dela ]

Os homens parecem acuados demais com a liberdade que foi dada para mulheres. Uma boa parte deles continua trabalhando com a segmentação de perfil daquelas que são para “tesão”, “paixão” e “esposa”. Uma boa parte continua sendo machista, julgando, apontando e comentando sobre a fulana de tal sem nem conhecer. Chega-se a conclusão de que “não vale” em uma única saída.

Relacionamentos movidos por amor foram colocados na prateleira das promoções que ninguém quer. É cafona! É sempre melhor um relacionamento por qualquer outro tipo interesse do que por amor.

E ai eu chego nos homens interessantes, um perfil raro em meio a tantos perdidos. A começar que homens interessantes tem objetivos. Eles não estão a toa nesse mundo. Ideias, projetos e novidades fazem parte do seu dia a dia. E digo mais, homens interessantes são dedicados a seus objetivos e carreira. Seu tempo é precioso. Prezam por liberdade, e o seu auge mora ai. Esse tipo de homem entende completamente a sinceridade, prioridade e vontades de uma mulher livre.

Ele aprendeu que a liberdade é o equilíbrio para tudo na vida. Assim como sua individualidade e espaço. É um homem que enxerga os relacionamentos como parceria e não amarração. É um cara que enxerga o novo mundo que vem ai como algo a ser explorado e entendido, e não perdido. É um cara curioso e interessado em todos os assuntos. Eclético e preocupado com a saúde. Deixou de lado o que é para “macho”, chora quando tem vontade, vai atrás daquilo que tem saudade. Ele é interessante justamente pela mistura que apresenta, os ideias que tem e pela liberdade que preza.

Sabe, não é exigência se interessar por alguém que tenha bons ideais e preze por liberdade. Uma boa parte dos caras que tentei conhecer melhor justamente por se apresentarem bem me fizeram sair correndo por não sustentarem a imagem interessante que apresentaram.

A liberdade quase sempre é confundida com putaria. As expectativas não são alinhadas e quando uma conversa precisa se fazer necessária, justamente para alinhar o que saiu do eixo, é “pressão demais”, “não gosto que me pressionem”. Uma sinceridade aqui e outra ali é vista como chatice feminina. Um “estou com saudade” ou “vamos nos ver?” é uma declaração de amor. E ao que tudo indica, o posicionamento feminino diante das relações virou histeria.

Por onde andam os caras interessantes? Aqueles caras que por segurança própria, matam os nossos maiores medos. Inclusive dele não ser o próximo cara que vai fazer a gente perder o interesse.

Juliana Manzato
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Juliana Manzato

Apaixonada por amor, cachorros, textos e coisas inspiradoras. Adora fotografia, mar, sol, doce de padaria, verão e olhar o céu azul. Esportista. Feminista. 80 porcentista. Irônica eu? Imagina.

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